Dennys Xavier na Crusoé: A ilusão do ensino “público, gratuito e de qualidade”
Um aluno universitário brasileiro custa, aproximadamente, de 2.500 reais a 4.500 reais por mês
Há uma expressão que se repete com grande naturalidade no vocabulário político brasileiro e que, à primeira audição, parece quase uma evidência moral: educação pública, gratuita e de qualidade.
A fórmula, ninguém o nega, tem enorme força retórica. Aparece em discursos parlamentares, campanhas eleitorais, manifestos estudantis, documentos oficiais.
Com o tempo, tornou-se um mantra cívico. Ainda assim, quando se examina a estrutura concreta das instituições educacionais, surge uma dificuldade bastante elementar: ensino gratuito não existe.
Toda educação tem custo. Sempre teve. E não é nada barato sustentá-lo.
Manter uma universidade exige salários de professores, técnicos e pesquisadores.
Exige prédios, laboratórios, bibliotecas, sistemas administrativos, bolsas acadêmicas, manutenção de equipamentos, eletricidade, tecnologia, serviços de limpeza e segurança.
Antes mesmo de qualquer debate filosófico sobre justiça social ou dever do Estado, existe um fato simples: alguém precisa pagar por tudo isso.
No caso brasileiro, quem paga é o contribuinte (no Brasil, tanto pior, especialmente o mais pobre, imerso num mundo de carga tributária sufocante… ironicamente, o mesmo que dificilmente chegará a frequentar os cursos mais concorridos e com maiores chances no mercado).
Os números ajudam a tornar essa questão mais visível. Estudos do MEC/Painel do Censo do Ensino Superior indicam que o custo médio anual de um estudante nas universidades federais brasileiras situa-se frequentemente entre 30 mil reais e 50 mil reais por aluno, variando conforme instituição e área de…
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