Deltan recorre a Fachin para impedir que STF anule votação no PR
Defesa do ex-procurador da Lava Jato argumenta que Zeca Dirceu quer usar o Supremo para se sobrepor ao Tribunal Superior Eleitoral
O candidato ao Senado pelo Paraná Deltan Dallagnol (Novo) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que impeça a tramitação de um pedido apresentado à Corte que busca impedir a validação dos votos que ele receber nas eleições deste domingo.
Na petição, protocolada neste sábado, 3, a defesa sustenta que o requerimento apresentado pelo deputado federal Zeca Dirceu (PR) contornou as novas regras de distribuição do tribunal e invadiu a competência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O pedido questionado pela defesa foi apresentado nos autos da Reclamação 94.666, relatada pelo ministro Gilmar Mendes. Segundo Dallagnol, porém, a ação original tratava de outro assunto: uma decisão do TRE-PR sobre propaganda eleitoral antecipada, envolvendo uma publicação em redes sociais. A reclamação havia sido julgada procedente por Gilmar em maio, com a cassação da decisão da Justiça Eleitoral paranaense.
Neste sábado, o parlamentar petista pediu diretamente a Gilmar Mendes a anulação dos votos de Deltan neste domingo. Assim, uma eventual beneficiada pode ser Gleisi Hoffmann, que disputa a terceira colocação no pleito atrás de Deltan, de Alexandre Curi (Republicanos) e de Filipe Barros (PL).
“O PT sabe que perde no voto popular e tenta agora fraudar as eleições utilizando uma manobra para conseguir uma decisão de Gilmar Mendes. Isso é um atentado contra a democracia, contra o TSE, contra a Constituição e contra a soberania do voto popular”, afirmou Deltan.
O ponto central da nova petição é a Resolução 921/2026, publicada pela Presidência do STF na sexta-feira, um dia antes do novo requerimento. A norma determina que determinados pedidos apresentados dentro de processos já existentes sejam previamente submetidos à Presidência, antes de sua juntada aos autos. Entre as situações previstas estão pedidos que questionem ato de autoridade que não figure no processo ou que pretendam estender os efeitos de uma decisão a pessoas, atos ou fatos que não faziam parte do processo original.
A resolução foi apresentada por Fachin como uma forma de reforçar a distribuição aleatória dos processos e o princípio do juiz natural, evitando que novos pedidos sejam automaticamente vinculados a um ministro específico.
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