Defesa de Mauro Cid compara denúncia a “narrativas gregas” e pede absolvição
Em alegações finais, advogados do tenente-coronel pedem a manutenção do acordo de colaboração premiada
A defesa do tenente-coronel Mauro Cid apresentou nesta terça-feira, 29, suas alegações finais na ação penal em que é réu no processo sobre tentativa de golpe de Estado.
Os advogados pedem que o militar seja inocentado e que o acordo de colaboração premiada firmado com a Polícia Federal (PF) seja mantido. No entanto, em caso de condenação, a defesa solicita que a pena aplicada não ultrapasse dois anos.
No documento, a defesa afirma que a acusação feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) parece “inspirar-se nas narrativas gregas, talvez de Sófocles”, argumentando que Cid foi “alçado ao papel de protagonista de um enredo previamente escrito”.
“Mauro Cid é alçado ao papel de protagonista de um enredo previamente escrito, em que a culpa lhe é atribuída não por seus atos, mas pelo simbolismo que carrega por ser próximo ao ex-Presidente da República”, diz trecho.
“A defesa de Mauro César Barbosa Cid, vêm, respeitosamente, a presença de Vossas Excelências para requerer: cumprimento integral dos termos homologados, especialmente, da proposta da contratante Polícia Federal, que propôs o perdão judicial; alternativamente, em caso de incrédula condenação, ao Colaborador Mauro César Barbosa Cid não seja imposta uma pena superior a dois anos”, acrescenta.
Com a apresentação das alegações finais, a defesa pode rebater os argumentos da PGR e responder os pedidos feitos por Paulo Gonet sobre os benefícios que devem ser aplicados ao tenente-coronel.
Alegações finais da PGR
Em alegações finais apresentadas ao STF, a PGR afirmou que Cid teve papel estratégico e operacional na organização criminosa que tentou impedir a posse de Lula.
Segundo a denúncia, Cid atuou como elo direto entre Bolsonaro e os demais integrantes da trama.
Ele é apontado como responsável por organizar reuniões, transportar e compartilhar documentos golpistas, manter comunicação com militares e civis envolvidos no plano e preservar conteúdos comprometedores em seu celular, que se tornaram peça-chave nas investigações.
“Sua atuação foi fundamental para viabilizar, de forma prática, os objetivos delineados pela organização criminosa”, disse Gonet.
“MAURO CID participou de disseminação de desinformação sobre o sistema eletrônico de votação e coordenou reuniões com oficiais militares de alta patente e civis com vistas a articular um golpe de Estado. Integrou a elaboração de estratégias de ruptura institucional com o emprego das Forças Armadas – inclusive em uma articulação com oficiais do Exército para pressionar o então Comandante, General Freire Gomes, a aderir ao golpe –, e promovia a interlocução entre Governo de JAIR MESSIAS BOLSONARO e os financiadores das manifestações antidemocráticas”, descreve Gonet.
“O réu, portanto, não era mero executor ou subordinado administrativo, mas um agente dotado de autonomia operacional e confiança plena por parte do Presidente, com papel determinante na viabilização dos crimes narrados na denúncia, tendo contribuído de forma efetiva para a consolidação e funcionamento da organização criminosa”, complementa o procurador-geral da República.
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