Defesa de Ciro Nogueira chama investigação da PF de “ilação”
O senador é suspeito de ter recebido recursos do banco de Daniel Vorcaro para apresentar um ‘jabuti’ na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de autonomia do Banco Central
A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou nesta quinta-feira, 7, repudiar qualquer “ilação de ilicitude” sobre sua atuação parlamentar.
Alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, o presidente nacional do PP é suspeito de ter recebido recursos do banco de Daniel Vorcaro para apresentar um ‘jabuti’ na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de autonomia do Banco Central.
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, disse a defesa, realizada pelo escritório do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, em nota.
“Emenda Master”
As investigações da Polícia Federal indicam que a emenda nº 11 à PEC 65/2023, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e conhecida como “emenda Master”, foi elaborada pela assessoria do Banco Master, pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o despacho, o texto foi encaminhado a Daniel Vorcaro e entregue em um envelope endereçado ao senador.
“No plano fático, a representação descreve, em primeiro lugar, o episódio relacionado à Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada por CIRO NOGUEIRA em 13.8.2024, ampliando a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Segundo os autos, o texto da emenda foi (i) elaborado pela assessoria do Banco Master, (ii) encaminhado por ANDRÉ KRUSCHEWSKY LIMA a DANIEL VORCARO, (iii) impresso e entregue em envelope endereçado a ‘Ciro’, no endereço residencial do senador, coincidente com aquele constante de seus dados fiscais.
Ainda de acordo com a Polícia Federal, o conteúdo da versão entregue é ‘reproduzido de forma integral pelo parlamentar’ ao Senado, tendo VORCARO afirmado, logo após a publicação da proposta de Emenda, que o ato legislativo ‘saiu exatamente como mandei’, ao passo que interlocutores do banco registraram que a medida ‘sextuplicaria’ o negócio do Master e provocaria verdadeira ‘hecatombe’ no mercado.”
Leia mais: Ciro Nogueira poderia interferir em investigações, diz PF
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Comentários (1)
Annie
07.05.2026 10:33Esse Ciro não é de hoje que sabemos que não é de confiança .