Declaração de Gilmar sobre inquérito até eleições provoca reação no Congresso
Ministro do STF defende continuidade do procedimento, enquanto aliados da oposição apontam uso político
A defesa da continuidade do inquérito das fake news pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, provocou reação imediata de deputados da oposição, que intensificaram críticas ao Corte e questionaram o uso do procedimento em ano eleitoral.
O deputado Carlos Jordy (PL-PB) criticou diretamente a fala do magistrado. “Olha a cara de pau de Gilmar Mendes. Ele diz que o tribunal está sendo vilipendiado e usa isso para justificar a continuidade do inquérito das fake news”, afirmou.
Em seguida, o parlamentar completou destacando a fala de Gilmar sobre o inquérito “até as eleições“. “Não há nem constrangimento em admitir que esse inquérito está sendo usado para perseguir adversários”, ressaltou o parlamentar.
Na mesma linha, o deputado Cabo Gilberto (PL-PB) destacou a repercussão da declaração e comentou que “eles não disfarçam mais“. “O ministro defendeu que o inquérito das fake news continue (..) aumentando a avaliação de que o instrumento será usado para fins políticos”, disse.
Entenda
A declaração de Gilmar Mendes foi dada em entrevista ao Jornal da Globo, exibida na quarta-feira, 22, em meio a críticas recorrentes sobre a atuação do STF e, especialmente, sobre o inquérito das fake news, aberto em 2019 e ainda sem prazo definido para conclusão.
Ao comentar o tema, o ministro defendeu a manutenção da investigação. “E ele vai acabar quando terminar, é preciso que isso seja dito em alto e bom som”, afirmou. Em outro trecho, justificou a continuidade com base no que considera ataques à Corte: “O tribunal tem sido vilipendiado”.
Gilmar também argumentou que a investigação exige uma resposta institucional. “Veja, por exemplo, a coragem, eu diria, a covardia do relator da CPI do Crime Organizado de atacar a Corte, pedir indiciamento de pessoas, não cuidando de quem efetivamente cometeu crime. Isso pode ser deixado assim? Acho que não. É preciso que haja resposta”, disse.
Na sequência, o ministro indicou a duração desejada do inquérito. “Eu acho que foi um momento importante de o Supremo ter aberto o inquérito”, afirmou.
“Mantê-lo pelo menos até as eleições. Acho que é relevante”, concluiu.
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