CVM aplica R$ 201,5 milhões em multas a Vorcaro e Master
Colegiado da autarquia pune ex-banqueiro, parentes e instituição por fraude em fundo imobiliário
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) impôs nesta terça-feira, 8, multas que somam R$ 201,5 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a familiares dele e ao Banco Master, após concluir que o grupo participou de uma operação fraudulenta ligada ao fundo imobiliário Brazil Realty. A decisão foi tomada por unanimidade pelos quatro diretores do órgão regulador.
Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro, receberam multa individual de R$ 20 milhões. O Banco Master foi penalizado em R$ 12,5 milhões, e o primo do ex-banqueiro, Felipe Vorcaro, deverá pagar R$ 5 milhões. Ao todo, 15 pessoas e empresas foram investigadas pela suposta fraude na emissão de cotas do fundo.
Esquema envolvia laudos questionados
Segundo o relator do processo, diretor João Accioly, os investigados teriam inserido no fundo imóveis avaliados por valores superiores aos reais, com base em laudos considerados falhos. Na sequência, as cotas geradas por esses ativos superfaturados teriam circulado entre integrantes do próprio grupo, criando uma aparência de liquidez.
Essa movimentação teria permitido converter o patrimônio inflado em recursos financeiros repassados a investidores externos, que não tinham vínculo com o esquema. Essas pessoas acabaram arcando com a diferença entre o valor atribuído aos imóveis e seu valor efetivo, prejuízo estimado pela CVM em R$ 5,84 milhões.
Além das multas principais, a gestora Sefer Investimentos foi condenada a pagar R$ 1,3 milhão por descumprir obrigações de transparência, atrasar comunicações obrigatórias e apresentar falhas na divulgação de balanços.
Outros quatro acusados foram multados em R$ 120 mil cada, enquanto cinco réus — entre pessoas físicas e empresas — foram inocentados da acusação de fraude.
Réus tentaram acordo antes do julgamento
Os fatos investigados remontam a 2018, mas o caso só foi levado a julgamento após um longo trâmite. Em 2021, Vorcaro, o Master e outros investigados chegaram a propor à CVM o pagamento de valores para encerrar o processo sem condenação, num total que incluía R$ 10,89 milhões oferecidos pela dupla.
O julgamento avançou apenas depois da liquidação do Master e da prisão de Vorcaro, ocorridas em novembro. Em dezembro, a CVM rejeitou formalmente todas as propostas de acordo apresentadas pelos réus, decidindo levar o caso a voto.
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