Crusoé: Rejeição histórica
Senado antecipa fim do governo ao recusar Messias, indicado de Lula para o STF. E mais: O emblema da verdade
Antes da noite da última quarta-feira, 29 de abril, as indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) seguiam o mesmo roteiro: o governo de plantão demorava alguns dias ou semanas para enviar o nome ao Senado. Depois, o indicado era alvo de uma sabatina protocolar na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ). Havia algum mistério sobre o placar, mas, ao final, o governo federal conseguia impor a sua vontade, e o amigo do Planalto assumia sua cadeira no Tribunal.
As aprovações seguiram o rumo, mesmo com indicados controversos, como um advogado pessoal do presidente da República, Cristiano Zanin, e políticos ultrafiéis, como o ex-governador do Maranhão Flávio Dino.
Mas, na noite da última quarta, a história mudou. E a esperança de parte do Senado é que tenha sido para sempre.
Pela primeira vez em mais de 130 anos, uma indicação ao Supremo Tribunal Federal foi barrada pelo Senado. A vítima? Jorge Messias. O ‘Bessias’, atual advogado-geral da União. Desde a Constituição de 1988, nenhuma indicação de ministro do STF feita pelo presidente da República havia sido recuada pelos parlamentares.
Lula sabia que corria risco com a indicação de Jorge Messias. Mas imaginou que conseguiria, com a força da máquina pública, impor a sua vontade, diz Wilson Lima em “Rejeição histórica”, a matéria de capa de Crusoé.
Também nesta edição histórica de Crusoé, que completa oito anos neste mês, Rodolfo Borges conta na matéria “O emblema da verdade” que o STF se afunda em crise pelo que tentou esconder.
A revista foi a primeira vítima do inquérito das fake news, por meio do qual o Supremo Tribunal Federal censurou uma reportagem que apenas relatava uma investigação. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, por “claro abuso no conteúdo da matéria veiculada”.
Ao tentar evitar que a verdade circulasse na edição 50 de Crusoé, o STF apenas colaborou para celebrizar o hoje famigerado apelido “o amigo do amigo de meu pai“, com que o empreiteiro Marcelo Odebrecht se referia ao então advogado-geral da União Dias Toffoli.
Outros destaques de Crusoé
Em “O oráculo da política”, Carlos Graieb fala sobre o Oráculo, plataforma abrangente que combina jornalismo analítico com coleta de dados.
Na reportagem “O informante Lula”, Duda Teixeira revela que a sinalização de virtude democrática do presidente Lula (PT) não resiste ao seu histórico durante a ditadura militar brasileira.
Na matéria “Futuro indefinido”, Guilherme Resck fala sobre o MDB, partido que já teve três presidentes, mas agora perde protagonismo nacional e pena para definir posicionamento para eleições.
Em “Quem julgará Putin?”, João Pedro Farah conversa com a advogada ucraniana Oleksandra Matviichuk, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2022 por documentar os crimes cometidos durante a guerra.
Colunistas
Privilegiando o assinante de O Antagonista+Crusoé, que apoia o jornalismo independente, também reunimos nosso timaço de colunistas.
Nesta edição, escrevem Bruno Soller (O termômetro do presidente), Roberto Reis (O partido que parou no tempo), Izabela Patriota e Letícia Barros (Liberais em um país viciado em Estado), Lucas de Souza Martins (Soft power em órbita), José Inácio Pilar (Diga alguma coisa), Josias Teófilo (A origem do sensualismo), Patrícia Chaccur (O sex appeal da intimidade artificial), Gustavo Nogy (Um pouco de esnobismo até que faz bem), Dennys Xavier (O argumento da intimidação), Denis Lerrer Rosenfield (Como pensar o Ocidente), Luiz Gaziri (A ilusão corporativa da racionalidade), Paulo Roberto de Almeida (O Adam Smith brasileiro), Márcio Coimbra (O comércio com amigos), Rodolfo Borges (O sertão da seleção) e Marco Bianchi (Não leve o futebol a sério).
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