Crusoé: Os influenciadores do crime
Atividade oferece características especialmente atraentes para quem deseja ocultar a origem do dinheiro
Carrões importados, jatinhos, relógios de luxo, joias milionárias e viagens internacionais exibidas diariamente para milhões de seguidores.
Nas redes sociais, influenciadores digitais transformaram a ostentação em produto. Nos bastidores, porém, investigações policiais apontam que parte desse universo pode servir a um propósito menos glamouroso: a lavagem de dinheiro do crime organizado.
Nos últimos anos, operações passaram a mirar não apenas traficantes e operadores financeiros, mas também personalidades da internet suspeitas de ajudar a dar aparência legal a recursos de origem ilícita.
O avanço das investigações se intensificou nos últimos dois anos. Em 2024, apurações policiais passaram a envolver influenciadores ligados a esquemas de apostas ilegais e fraudes eletrônicas.
A Operação Faketech investigou a promoção do chamado “jogo do tigrinho“, enquanto o humorista Nego Di foi preso preventivamente por suspeitas relacionadas à fraude da loja virtual Tadizuera.
No ano passado, a Operação Narco Fluxo ampliou o foco das autoridades sobre a relação entre ostentação digital, patrimônio de luxo e movimentações atribuídas ao crime organizado.
As investigações sobre o ambiente das apostas online também passaram a atingir influenciadores usados como vitrine de plataformas de bets, em especial em esquemas de publicidade agressiva e promessas de ganhos rápidos.
Em diferentes apurações, influenciadores aparecem como peças centrais na atração de usuários para plataformas que, em parte dos casos, operam sem autorização no país ou com estruturas financeiras no exterior.
Entre os nomes citados nesse contexto está o influenciador Ruyter Poubel, mencionado em investigações que apuram a criação e promoção de plataformas de apostas e estruturas financeiras associadas ao fluxo de depósitos de usuários.
Em outra frente, o influenciador Hytalo Santos também aparece em apurações e denúncias relacionadas à divulgação de apostas online e estratégias de marketing agressivo nas redes sociais, usadas para impulsionar o alcance de plataformas do setor.
O fenômeno não se limita às apostas. Parte das investigações aponta que o ambiente digital também pode ser utilizado como mecanismo de validação social para atividades sob suspeita, em que a visibilidade e a influência funcionam como ativos econômicos.
O caso mais emblemático é o de Deolane Bezerra. Relatório complementar da Operação Vérnix, obtido pela Crusoé, afirma que novos elementos reforçam a suspeita de ligação entre a influenciadora e integrantes do PCC…
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