Crusoé: O peso da corrupção
Por que candidatos investigados ou envolvidos em relações suspeitas seguem entre os preferidos do eleitorado
As pesquisas de intenção de voto das eleições de 2026 reforçam que o eleitorado brasileiro tem uma tolerância significativa com a corrupção no país.
Embora a corrupção seja um dos temas que mais preocupam os brasileiros, com 36% das pessoas dizendo ser o maior problema do país, segundo pesquisa Ipsos de julho, candidatos investigados ou envolvidos em relações suspeitas seguem entre os preferidos.
O caso mais emblemático é o do presidente Lula (PT), que teve seus três governos marcados por escândalos de corrupção e segue liderando em intenções de voto para presidente da República, com chances reais de chegar ao quarto mandato.
O senador e candidato do PL a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, está em segundo lugar nas intenções de voto, em empate técnico com Lula, apesar de sua proximidade com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Senado
Os senadores Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, e Jaques Wagner (PT), ex-líder do governo Lula no Senado, são outros nomes com chances reais de atingirem seus objetivos nas eleições de 2026, mesmo suspeitos de envolvimento em esquema de corrupção.
Candidatos à reeleição, ambos são investigados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao Master.
Nogueira tem 15% das intenções de voto para senador pelo Piauí, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada em 21 de julho. Numericamente, está em segundo lugar, atrás apenas de Marcelo Castro (MDB), que tem 20,4%.
Em relação a Jaques Wagner, há suspeita de suposto recebimento de vantagens indevidas e atuação parlamentar para beneficiar o Master.
Mas pesquisa RealTime Big Data divulgada na terça, 11, mostra o senador em segundo lugar nas intenções de voto na Bahia, com 20%, atrás apenas de Rui Costa (PT), que tem 25%.
Tanto na Bahia como no Piauí, estão em disputa duas vagas de senador em 2026.
Tolerância com a corrupção
A tolerância do eleitorado brasileiro com a corrupção tem origem em problemas culturais e sociais.
Historicamente, em regra, o brasileiro não sabe separar o que é público daquilo que é privado.
Além disso, no cotidiano, pequenas burlas à lei são aceitas. É o “jeitinho brasileiro”…
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