Crusoé: Moraes no ataque
Vazamentos sobre esposa levam ministro a abrir investigação
Quando se sentem acuados por investigações, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atacam para se proteger.
Foi isso o que aconteceu em 2019, quando Dias Toffoli e Alexandre de Moraes deram largada ao inquérito das fake news. O propósito naquela época era conter as apurações da imprensa, da Receita e da Lava Jato.
Os métodos da Corte continuam os mesmos.
Depois que o jornal O Globo revelou um contrato de 129 milhões de reais entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, Moraes partiu para cima de quatro funcionários da Receita que, segundo o STF, teriam acessado e vazado dados sigilosos de forma ilícita.
O magistrado mandou tirar os passaportes dos servidores, ordenou recolhimento domiciliar noturno e os obrigou a usar tornozeleira eletrônica.
São punições graves, como se eles já tivessem sido condenados.
“Foi determinado uma espécie de regime semiaberto, as pessoas estão de tornozeleira eletrônica, têm que voltar para casa no final do dia, não podem se ausentar no final de semana. Isso é o regime semiaberto, quer dizer, é o máximo que, ao final, essas pessoas pegariam no caso mais grave de vazamento doloso de informações, o que está muitíssimo longe dos fatos concretos que nós temos apurados até o momento”, disse Kleber Cabral, presidente da Unafisco, que reúne os funcionários da Receita, ao programa Meio-Dia em Brasília.
Na quinta à tarde, Kleber Cabral foi intimado a depor na Polícia Federal por videoconferência — um sinal de que Moraes não gostou de suas entrevistas para a imprensa.
As medidas são claramente desproporcionais. Além disso, estão cheias de buracos e de irregularidades — o que reforça a suspeita de que seria um ato de desespero de Moraes para se proteger.
Desvios
Em uma nota divulgada pelo STF na terça-feira de Carnaval, afirma-se que os acessos foram ilícitos ou ilegais, insinuando que houve crime…
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