Crusoé: Goianismo político-cultural
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Pela primeira vez em décadas, um presidente da República decidiu não comparecer à Agrishow, a maior feira de agronegócio do Brasil. O que ninguém poderia avaliar é que a desfeita seria um dos fatos políticos mais importantes de 2023.
Lula, que se sente mais à vontade em São Bernardo do Campo do que em Ribeirão Preto, preferiu esnobar o evento, enviando Carlos Fávaro, ministro da Agricultura, e Geraldo Alckmin, vice-presidente.
Fávaro foi informalmente desconvidado da cerimônia de abertura, que com a ausência do atual presidente preferiu chamar o ex, Jair Bolsonaro. O Banco do Brasil entrou na polêmica, considerou retirar o patrocínio do evento e a cerimônia de abertura foi cancelada. O mal-estar estava só começando.
Jair Bolsonaro não apenas compareceu como foi recebido como o líder político do setor, ovacionado por um Brasil que o país do litoral e dos grandes centros urbanos não conhece ou entende.
Em 2024, Lula repetiu a desfeita. O ex-presidente, com Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado ao lado, foi recebido com gritos de “volta, Bolsonaro” e “mito”.
A Agrishow 2024 teve mais de 200 mil visitantes e um recorde de 14,8 bilhões de reais em negócios fechados.
Nesta semana, o Show Rural, outro megaevento do setor que ocorreu em Cascavel (PR), também não contou com a presença de Lula ou de membros do primeiro escalão do governo.
A feira teve 500 mil visitantes em 5 dias, 600 estandes e mais de 7 bilhões de reais em negócios fechados.
O centro do poder do Brasil, desde o início, esteve no litoral. De Salvador, passando pelo Rio de Janeiro, foram mais de quatro séculos com a capital do país localizada de frente para o mar e de costas para o interior, ou quase 80% da sua história. Esse tempo passou.
O Oeste brasileiro, que se estende por todo o interior produtivo do país, não apenas gera grande parte das riquezas que sustentam a economia nacional, mas agora também quer respeito, reconhecimento e poder. O agronegócio, responsável por 23% do PIB nacional, é o eixo que mantém o Brasil de pé e sabe disso.
Já o goianismo cultural não é novo. Ele sempre esteve…
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