Crusoé: Ex-presidente do INSS contesta investigação da PF
Segundo os advogados, as acusações atribuídas a Stefanutto “não correspondem aos fatos” e ignoram "trajetória no serviço público"
A defesa do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto (foto, ao lado de Carlos Lupi) divulgou nota nesta sexta-feira, 14, na qual afirma haver “profunda indignação” com o que considera a circulação de informações falsas e distorcidas sobre sua conduta no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo convênios e benefícios previdenciários.
Segundo os advogados, as acusações atribuídas a Stefanutto “não correspondem aos fatos” e ignoram sua trajetória de integridade no serviço público. A nota sustenta que é “absolutamente falsa” qualquer afirmação de que o ex-presidente do INSS teria recebido pagamentos de entidades, empresas ou intermediários mencionados na investigação. “Nenhuma prova, documento ou transferência sustenta essa narrativa”, diz o texto.
Segundo a investigação da Polícia Federal, Stefanutto recebeu em torno de 250 mil reais por mês. Os repasses ocorreram em outubro de 2022 e no período de junho de 2023 a setembro de 2024.
Stefanutto foi na nova fase da Operação Sem Desconto, da PF. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão aponta que existem indícios de que Stefanutto atuou como facilitador institucional do grupo criminoso dentro do INSS. Primeiramente como procurador-geral federal especializado junto ao Instituto e depois como presidente.
“Ele utilizou sua influência na alta administração pública para garantir a continuidade da fraude em massa, que gerou 708 milhões de reais em receita ilícita, confirmando sua posição como uma das principais engrenagens da organização criminosa”, pontuou a Polícia Federal sobre Stefanutto.
A defesa também critica relatórios do Coaf que embasam parte das apurações. Segundo ela, os documentos foram divulgados “sem cuidado técnico”, utilizam dados desatualizados e teriam induzido a interpretações equivocadas sobre movimentações financeiras que, de acordo com os advogados, são compatíveis com a remuneração pública de Stefanutto e foram devidamente declaradas.
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