Crusoé: E agora, Gleisi?
Derrotas em série do governo federal expõem ainda mais a frágil articulação política do Palácio do Planalto mesmo com troca de ministro
Em 28 de fevereiro, o presidente Lula nomeou Gleisi Hoffmann (foto) – a presidente do PT na época – para cuidar da articulação política do governo federal no lugar de Alexandre Padilha. Naquele momento, Padilha, então ministro de Relações Institucionais, vivia às turras com o presidente da Câmara dos Deputados da ocasião, Arthur Lira (PP-AL).
A principal queixa de Lira: Padilha não tinha autonomia suficiente para deliberar sobre a liberação de emendas parlamentares. Havia outras reclamações, por óbvio, como sucessivos descumprimentos de acordos por parte do Palácio do Planalto e até manobras comandadas por Padilha para tentar minar a influência de Lira em Alagoas, em favor de seu arquirrival, o senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Com Gleisi, Lira e outros parlamentares do Centrão alimentavam alguma esperança de que houvesse, no mínimo, uma mudança de rota. O começo não foi dos piores. As trocas de farpas deram lugar a declarações elogiosas.
Elogios
“Sempre tive boa relação com ela no parlamento. Desejo pleno êxito na nova função e continuaremos o diálogo permanente a favor do Brasil”, disse Hugo Motta (Republicanos-PB), o atual presidente da Câmara, assim que Gleisi assumiu a articulação política.
Durante a votação do orçamento de 2025, atrasado por responsabilidade do próprio governo Lula, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), atribuiu a Gleisi a construção de uma ponte que facilitou a aprovação da matéria.
“A ministra Gleisi Hoffmann, em um debate franco, honesto e verdadeiro, construiu nos últimos dias um entendimento maduro e honesto com o Congresso Nacional”, disse Alcolumbre.
O tempo passou
Contudo, o tempo passou e os problemas ficaram. Agora, o que era ruim ficou pior ainda.
As sucessivas derrotas do Palácio do Planalto no Congresso reafirmam que o governo federal não tem mais de onde tirar, e nem mais o que oferecer. É como se a União vivesse uma espécie de apagão na articulação política.
Líderes ouvidos por Crusoé classificam a situação como sendo…
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