Crusoé: Como Lula tenta desviar o foco das fraudes no INSS
Em rádio e TV, o petista tentou colocar o governo como responsável por desmontar o esquema de cobranças indevidas contra aposentados e pensionistas
O presidente Lula (PT) fez na quarta-feira, 30, véspera do Dia do Trabalhador, um pronunciamento em rede nacional para tentar desviar o foco da fraude bilionária no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em rádio e TV, o petista defendeu o ‘aprofundamento do debate’ sobre o fim da jornada de seis dias de trabalho para um de folga, pauta populista que enfrenta forte oposição no Congresso.
“Nós vamos aprofundar o debate sobre a redução da jornada de trabalho vigente no país, em que o trabalhador e a trabalhadora passam seis dias no serviço e têm apenas um dia de descanso. A chamada jornada 6 por 1.Está na hora do Brasil dar esse passo, ouvindo todos os setores da sociedade, para permitir um equilíbrio entre a vida profissional e o bem-estar de trabalhadores e trabalhadoras.”
Lula também tentou colocar o governo como responsável por ‘desmontar um esquema criminoso’ de cobranças indevidas contra aposentados e pensionistas, embora as investigações apontem que a quantidade de dinheiro descontada sem autorização aumentou consideravelmente a partir de 2023, quando começou o governo Lula.
“Na última semana, o nosso governo, por meio da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal, desmontou um esquema criminoso de cobrança indevida contra aposentados e pensionistas, que vinha operando desde 2019. Determinei à Advocacia-Geral da União que as associações que praticaram cobranças ilegais sejam processadas e obrigadas a ressarcir as pessoas que foram lesadas.”
Os descontos
As investigações apuraram descontos somados de 413 milhões de reais em 2016 e 460 milhões de reais em 2017.
Foram descontados 617 milhões de reais em 2018, 604 milhões de reais em 2019, 510 milhões de reais em 2020, 536 milhões de reais em 2021 e 706 milhões de reais em 2022.
A partir de 2023, o valor total descontado saltou para 1,3 bilhão de reais, e, em 2024, para 2,8 bilhões de reais.
A investigação sugere que cerca de 90% dos descontos estavam sendo feitos sem anuência dos pensionistas.
Segundo o Estadão, o número de descontos não autorizados mais do que quintuplicou…
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