CPMI do INSS aprova convites a Galípolo e Campos Neto sobre caso Master
Comissão quer esclarecimentos sobre o impacto e atuação do Banco Central em episódio envolvendo o conglomerado financeiro
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, nesta quinta-feira, 19, convites para ouvir o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, no âmbito das apurações relacionadas ao caso envolvendo o conglomerado Master. A iniciativa amplia o escopo da comissão, que inicialmente se concentrou em investigar descontos indevidos em benefícios previdenciários, mas passou a incorporar desdobramentos ligados ao sistema financeiro após a repercussão do episódio envolvendo instituições do grupo.
Segundo parlamentares, a intenção é esclarecer a atuação do Banco Central no caso e os possíveis impactos do episódio. Como apontado durante a aprovação dos requerimentos, os convites buscam “esclarecer a atuação do Banco Central no caso Master”, além de detalhar as medidas adotadas pela autoridade monetária.
O foco dos questionamentos recai sobre a supervisão exercida pelo BC e sobre a condução da liquidação extrajudicial de instituições vinculadas ao conglomerado. Para integrantes da comissão, é necessário entender os impactos do caso no sistema financeiro e avaliar se os mecanismos de fiscalização foram suficientes.
Os convites aprovados não têm caráter obrigatório, mas aumentam a pressão política para que Galípolo e Campos Neto compareçam à comissão. A avaliação entre membros da CPMI é de que os depoimentos podem contribuir para esclarecer pontos ainda em aberto e dar mais transparência ao episódio.
Leia mais: Mendonça desobriga Campos Neto de prestar depoimento à CPI do Crime Organizado
Carlos Viana
Antes do início da sessão desta quinta, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), comentou a controvérsia envolvendo o acesso a dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, em meio ao embate com a Polícia Federal e decisões do STF.
Em coletiva de imprensa, Viana afirmou que a comissão tem prerrogativa constitucional para requisitar e manter documentos sob sigilo. “A PF não é superior à CPMI em nada. A CPMI tem, constitucionalmente, a liberdade de pedir documentos e guardar documentos em sigilo. Os dados foram retomados em uma decisão legítima da minha parte, em requisição ao provedor do telefone”, disse.
A Polícia Federal informou, na quarta-feira, 18, que a solicitação feita à empresa Apple resultou em acessos “fora do controle inicial da cadeia de custódia estabelecida judicialmente”. No mesmo dia, o material foi retirado do Senado por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
Viana afirmou concordar com a decisão do ministro diante do risco de vazamentos. “Sou obrigado a concordar. Havia suspeitas de que os vazamentos seriam feitos através de câmeras escondidas. Naturalmente, se houver vazamento, até agora não vazou, que tenha vindo da sala-cofre, será feita investigação para identificar quem vazou”, concluiu.
O episódio expõe a tensão entre a CPMI e órgãos de investigação e ocorre na fase final dos trabalhos da comissão, que busca consolidar seu relatório com a análise de diferentes frentes ligadas ao caso.
Leia também: “Não existe investigação sem liberdade para investigar”, diz Viana
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)