Agentes da PF ainda não acreditam em delação de Vorcaro
Para os integrantes da corporação, banqueiro manda recados para seus ‘amigos políticos’ em busca de uma solução menos traumática
Investigadores da Polícia Federal (PF) que atuam no inquérito sobre o Banco Master avaliam que os movimentos do banqueiro Daniel Vorcaro em direção a um possível acordo de delação premiada não devem representar, ao menos neste primeiro momento, uma colaboração efetiva com as investigações.
Conforme apurou O Antagonista com agentes da PF, apesar de aparentar desespero por estar preso em uma penitenciária federal, o banqueiro vem mandando recados junto a integrantes do Centrão para que seus ‘amigos políticos’ achem uma solução e o livrem da prisão.
Uma eventual delação de Vorcaro poderia comprometer, principalmente, integrantes de siglas como União Brasil e PP.
Esse primeiro recado foi a mudança de seu advogado. Pierpaolo Bottini deixou o caso alegando questões pessoais e José Luis Oliveira Lima, o Juca, assumiu a defesa do banqueiro.
Depois, Vorcaro mandou recados argumentando que poderia assinar uma delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e, nesta quarta-feira, 18, o G1 revelou que o advogado do banqueiro procurou o ministro André Mendonça, do STF, para discutir um acordo. Apesar disso, ainda não houve, de forma concreta, qualquer tratativa para se discutir uma delação.
“Quando um cidadão quer falar, ele simplesmente procura o órgão e resolve de uma vez”, disse um agente federal que tem acompanhado o caso.
Prisão de Vorcaro
A Segunda Turma do STF formou maioria na sexta-feira, 13, para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O relator do caso, ministro André Mendonça, votou pela continuidade da medida cautelar e foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Com o placar de 3 a 0, o plenário virtual já alcançou maioria pela manutenção da prisão preventiva.
Falta apenas o voto do decano Gilmar Mendes para o encerramento do julgamento, já que o ministro Dias Toffoli se declarou suspeito e não irá participar da votação.
Voto do relator
No voto apresentado para referendar sua decisão monocrática, Mendonça afirmou que há “fortes indícios” da prática de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o ministro, os elementos reunidos nas investigações indicam a existência de uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e uso de empresas para viabilizar operações financeiras e ocultar pagamentos ilícitos.
De acordo com o relator, Vorcaro teria desempenhado papel central no funcionamento do esquema investigado.
“Os elementos colhidos indicam a atuação do investigado na condução de estratégias financeiras e institucionais relacionadas ao Banco Master”, registrou Mendonça.
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