CPI do Crime Organizado rejeita ouvir Valdemar Costa Neto no caso Master
Senadores discutem limites entre investigação financeira e disputa política; Parlamentares divergiram sobre a pauta
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitou, nesta quarta-feira, 18, a convocação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, no âmbito das investigações sobre o Banco Máster. O requerimento foi derrotado em meio a divergências sobre o alcance político das apurações.
A solicitação havia sido apresentada pelo senador Humberto Costa (PT-PE), que apontou como justificativa declarações de Valdemar em entrevista ao programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes. Na ocasião, o dirigente partidário mencionou doações de campanha feitas por Fabiano Zettel ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e ao próprio Partido Liberal nas eleições de 2022.
Segundo o requerimento, Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Máster, e ambos são investigados na operação “Compliance Zero“, que apura suspeitas de fraudes na instituição financeira. A investigação aponta possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O documento também menciona uma linha investigativa relacionada à suposta utilização da empresa REAG para lavagem de dinheiro do PCC. De acordo com o texto, haveria vínculos entre a REAG e o Banco Máster, com indícios de movimentações atípicas de recursos, inflamento de resultados e ocultação de riscos financeiros.
Leia mais: Fundo investigado por ligação com PCC enviou R$ 180 milhões para empresa ligada a Vorcaro
Apesar dos argumentos apresentados, a maioria dos integrantes da CPI votou contra a convocação. O senador Sergio Moro (União-PR) defendeu que a comissão mantenha foco técnico nas investigações financeiras.
“Não podemos transformar a investigação em um palco político. O que está em discussão é um possível esquema fraudulento no sistema financeiro, que precisa ser apurado com objetividade”, afirmou.
Na sequência, Moro reforçou que a CPI deve priorizar a apuração dos fatos ligados ao funcionamento do esquema, e não ampliar o escopo com base em declarações políticas.
“Eles tomaram dinheiro de várias pessoas sem lastro, sem condição de fazer isso, fizeram operações temerárias, ou seja, criminosas. É isso que precisa ser investigado com profundidade, para entender o tamanho do dano causado. Obviamente que isso aconteceu sob a guarda e a proteção de órgãos que tinham o dever de fiscalizar. Então o que a CPI precisa esclarecer é como esse esquema nasceu, cresceu e quais foram os seus efeitos, e não desviar para uma disputa política“, completou.
Valdemar Costa Neto
Valdemar afirmou, em entrevista a Globo News no início do mês, não conhecer Vorcaro e disse que os valores citados não foram os maiores recebidos pela campanha do ex-presidente.
“As doações que foram feitas, nós tivemos muitas doações e falam que foi a maior. A maior não foi essa, foi uma de R$ 7 milhões e tem doações que eram feitas na conta de eleição do Bolsonaro e tinham doações que eram feitas no partido e tivemos doações muito maiores do que essa”, disse.
O presidente do PL também afirmou que as doações foram feitas “pela força e pelo prestígio” de Jair Bolsonaro. Segundo Valdemar, nenhum integrante do seu partido está envolvido no esquema.
“Se tivesse alguém envolvido, esse envolvido já teria me procurado para falar da CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito]. Então, como ninguém me procurou até agora, eu vejo que não tem gente nossa envolvida”, concluiu.
Fabiano Zettel, Vorcaro e outras duas pessoas foram presas na quarta, 4, alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras
Leia também: “Tivemos maiores que essa”, diz Valdemar sobre doação de cunhado de Vorcaro
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Comentários (1)
Annie
18.03.2026 12:37Tudo junto e misturado e o que parece.