Costa Rica expulsa diplomatas cubanos do país
Presidente Rodrigo Chaves encerra relações com a ilha e fecha embaixada em Havana, em movimento que aproxima San José de Washington
A Costa Rica encerrou nesta quarta-feira, 18, suas relações diplomáticas com Cuba, fechou a embaixada em Havana e determinou a retirada do corpo diplomático cubano de San José. O presidente Rodrigo Chaves justificou a decisão com base na situação dos direitos humanos na ilha e adotou um discurso de confronto direto com o governo de Havana.
O rompimento é o episódio mais grave nas relações entre os dois países em décadas e coloca a Costa Rica em alinhamento com a política de pressão adotada pelo governo dos Estados Unidos contra o regime cubano.
“É preciso limpar o hemisfério dos comunistas”
O chanceler costarriquenho Arnoldo André Tinoco anunciou o fechamento da embaixada e pediu formalmente a retirada dos diplomatas cubanos. “Tomamos a decisão de proceder com o fechamento da embaixada da Costa Rica na República de Cuba. Da mesma forma, solicitamos à chancelaria de Cuba a retirada de seu pessoal diplomático da embaixada em San José, exceto os funcionários consulares”, declarou.
Chaves foi além do protocolo diplomático ao justificar a medida. Ele afirmou que a Costa Rica “não reconhece a legitimidade do regime comunista de Cuba, diante dos maus-tratos, da repressão e das condições indignas em que mantêm os habitantes dessa ilha bonita”. O mandatário acrescentou: “É preciso limpar o hemisfério de comunistas (…), não vamos dar legitimidade ao regime que oprime e tortura quase dez milhões de cubanos hoje”.
A embaixada costarriquenha em Havana já operava sem pessoal diplomático desde 5 de fevereiro. Para atender seus cidadãos em Cuba — estimados em número menor do que os cerca de 10 mil cubanos que vivem na Costa Rica —, San José passará a operar a partir do Panamá.
Reação de Havana
O governo cubano classificou a decisão como “arbitrária” e atribuiu o movimento à influência norte-americana. Em nota, a chancelaria de Havana afirmou que a medida foi “evidentemente tomada sob pressão e sem levar em conta os interesses nacionais e os desse povo irmão”.
Cuba também situou o episódio em um contexto mais amplo: “O governo da Costa Rica, que apresenta um histórico de subordinação à política dos Estados Unidos contra Cuba, volta a se somar à ofensiva do governo americano em suas tentativas renovadas de isolar o nosso país das nações da nossa América”.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)