Cosan fortalece caixa com R$ 10 bi e muda estrutura acionária
Para reduzir dívidas, Cosan anuncia capitalização de 10 bilhões de reais com BTG e Perfin, mantendo Ometto no controle
A Cosan acaba de anunciar uma operação de capitalização que reforça significativamente sua estrutura financeira, ao mesmo tempo em que preserva o controle estratégico por parte de Rubens Ometto.
O movimento, liderado por BTG Pactual e a gestora Perfin, da ordem de 10 bilhões de reais, foi desenhado para reduzir alavancagem, reequilibrar ações, e atrair investidores com capacidade de manter uma governança estável.
No novo arranjo, o BTG fará um aporte de 4,5 bilhões de reais, a Perfin entrará com 2 bilhões, e o family office de Ometto, a Aguassanta, contribuirá com 750 milhões.
A oferta primária está avaliada a R$ 5 por ação, valor com o qual se estrutura a primeira fase da capitalização. Depois, haverá uma oferta subsequente de até 2,75 bilhões de reais para acionistas existentes.
Com essa nova estrutura, os três investidores, BTG, Perfin e Aguassanta, formarão um bloco de controle que deterá 55% do capital da Cosan.
Dentro desse bloco, Rubens Ometto manterá 50,01% das ações vinculadas ao acordo, garantindo controle formal por meio de um pacto societário com duração de 20 anos.
Embora haja uma diluição de sua participação individual, Ometto permanece presidente do Conselho e continuará indicando a maioria dos membros do colegiado.
O uso do capital levantado tem como prioridade a redução da dívida líquida, que estava em torno de 17,5 bilhões de reais, representando uma alavancagem de cerca de 3,4 vezes o Ebitda.
A operação também aparece como resposta aos desafios do setor, como juros altos, margens pressionadas na bioenergia, e risco regulatório e operacional nos negócios de combustíveis e logística.
Com isso a empresa busca dar estabilidade para retomar trajetória de crescimento, defendendo a sua posição competitiva e manter coerência institucional, sem abrir mão de governança centralizada nas mãos de Ometto.
Em 2022 a Cosan havia comprado cerca de 4,9% das ações da Vale, participação que se desfez em no início de 2025 com prejuízo bilionário.
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