Trump e o cerco à liberdade de informação
Ao que parece, para Trump, a liberdade de informação só agrada quando reflete o que ele pensa e quer ver publicado
O cerco à liberdade de expressão nos Estados Unidos parece estar escalando nas últimas semanas diante da pressão presidencial sobre meios de comunicação que o criticam.
Ela já foi convertida em processos, acordos milionários e ameaças à continuidade de emissoras.
A suspensão por tempo ainda indefinido do programa do comediante Jimmy Kimmel pela ABC, do Grupo Disney, após reação de afiliadas e críticas do presidente, disparou novos alarmes sobre coerção estatal e autocensura.
O episódio apontou para uma sequência de acontecimentos, com o presidente e seus aliados recorrendo ao judiciário e a aparelhos regulatórios para neutralizar críticas.
Trump elogiou a suspensão do apresentador e sugeriu que o Federal Communications Commission (FCC) reexamine licenças de redes de TV que o desagradam, uma intervenção que remete a tentativas de instrumentalizar o poder público contra vozes dissidentes.
O caso Paramount, que pagou 16 milhões de dólares para encerrar uma ação movida por Trump, ilustra como litígios e soluções financeiras podem preceder decisões empresariais importantes.
Logo depois desse acordo, a venda do estúdio foi autorizada pelo FCC para a Skydance. Muitos não viram o timing como coincidência, enxergando o risco de barganhas entre empresas e governo.
Trump também expulsou uma respeitada agência internacional de jornalismo, a Associated Press, das coletivas de imprensa da Casa Branca.
Ele também assinou uma ordem executiva para cortar o financiamento federal para a TV e rádio publicas PBS e a NPR, alegando viés de parcialidade.
A NPR, junto com algumas de suas estações locais, processou Trump, afirmando que a ordem era uma violação da liberdade de expressão e excedia a autoridade presidencial.
Pouco depois, o Congresso de maioria republicana, partido de Trump, aprovou a eliminação de 1,1 bilhão de dólares alocados para a radiodifusão pública.
Trump moveu um processo de 10 bilhões de dólares contra o The Wall Street Journal e seu dono, Rupert Murdoch.
A ação foi protocolada um dia depois que o jornal publicou uma reportagem sobre seus laços com o financista e abusador sexual de menores Jeffrey Epstein.
Nessa mesma semana, o presidente americano entrou com um processo contra o jornal New York Times no valor de 15 bilhões de dólares, por difamação, afirmando que eles teriam se tornado porta-vozes do Partido Democrata.
Além dos processos conhecidos como SLAPP suits, haveria outro estilo de pressão informal: os pedidos públicos de demissões, campanhas contra anunciantes e uso de aliados em agências reguladoras para criar ambiente de risco para grupos de mídia críticos.
Essas estratégias ampliam o poder de silenciar sem passar pelo escrutínio explícito de leis que protegem a imprensa.
Debates sobre limites entre regulação, independência corporativa e discurso político deverão marcar a agenda legislativa e judicial nos meses seguintes.
Enquanto isso, editores reavaliam pautas, produtores consideram riscos comerciais e jornalistas relatam maior autocensura diante de ameaças indiretas.
Ao que parece, para Trump, a liberdade de informação só agrada quando reflete o que ele pensa e quer ver publicado.
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Comentários (1)
Eliane ☆
20.09.2025 14:32E para os bolsotrumpistas:"ditadores"são os outros.