“Ninguém está acima da lei”, diz Contarato ao criticar decisões do STF na CPI
Presidente da CPI do Crime Organizado aponta dificuldade para avançar nas apurações após liberação de depoimentos, como o de Ibaneis Rocha
O presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-SE), criticou, nesta terça-feira, 7, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, têm contribuído para o esvaziamento dos trabalhos da comissão. A manifestação ocorreu após a Corte conceder habeas corpus ao ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), desobrigando-o de comparecer ao colegiado.
A oitiva de Ibaneis estava prevista para esta terça após aprovação de requerimento em 31 de março. A convocação tinha como objetivo esclarecer tratativas envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e a tentativa de aquisição do Banco Master, operação que acabou vetada pelo Banco Central.
Durante a sessão, Contarato questionou o entendimento do STF e afirmou que decisões dessa natureza comprometem a capacidade investigativa da CPI.
“Eu queria fazer uma manifestação da forma que o Supremo Tribunal vem se manifestando em relação aos trabalhos da CPI do Crime Organizado. Ninguém está acima da lei. Não é razoável que a gente aprove aqui a oitiva de uma testemunha, e o Supremo vem e fale que não é obrigado a comparecer. Ora, não quer que se apure? Por que não querem que apure?”, disse.
Na última quinta-feira, 2, o ministro da Corte, André Mendonça, decidiu que Ibaneis não era obrigado a comparecer à CPI. Pela decisão, mesmo que optasse por comparecer, ele poderia permanecer em silêncio. O ex-governador já havia sido convidado anteriormente, mas não participou das reuniões marcadas em dezembro e fevereiro.
“Restando configurada, pelo teor da justificativa apresentada pela comissão parlamentar para embasar a sua convocação, a condição de investigado do peticionante IBANEIS ROCHA BARROS JÚNIOR, e já tendo sido manifestada a objeção de sua defesa técnica, através da Petição nº 42142/2026, afasto a obrigatoriedade de comparecimento, transmudando-a em facultatividade, deixando a cargo do peticionário a decisão de comparecer, ou não, à CPI“, diz a decisão do magistrado.
Lei mais: Mendonça desobriga Ibaneis Rocha de prestar depoimento à CPI do Crime Organizado
Relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) também criticou a ausência de Ibaneis e apontou impacto direto das decisões do Supremo sobre o andamento das investigações.
“Lamento a reiteração de decisões do Supremo Tribunal Federal esvaziando CPIs, porque essa CPI tocou em um ponto sensível em que ninguém tocou: o envolvimento direto de ministros do Supremo com figuras, no mínimo, controversas”, afirmou.
(Em atualização).
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Comentários (2)
Fabio
07.04.2026 19:15Sei... Aos amigos, tudo; aos inimigos, o rigor da lei.
Rosa
07.04.2026 17:32Os membros do STF estão. Ao menos eles se acham