Conselho de Ética abre prazo para Gilvan da Federal apresentar defesa
Deputado é alvo de processo disciplinar por supostamente ter proferido manifestações ofensivas contra Gleisi Hoffmann
O Conselho de Ética da Câmara iniciou, nesta quinta-feira, 14, o prazo para o deputado Gilvan da Federal (PL-ES) apresentar sua defesa escrita no processo disciplinar referente à representação no âmbito da qual ele já teve o mandato suspenso, cautelarmente, por três meses. O parlamentar dispõe de dez dias úteis.
Gilvan foi notificado da existência do processo na quarta-feira, 13. No prazo de dez dias, que se encerra em 27 de agosto, ele poderá também indicar provas, arrolar testemunhas em número máximo de oito e apresentar documentos que julgar necessários.
Transcorrido o prazo sem que tenha sido apresentada a defesa, o presidente do Conselho de Ética, Fabio Schiochet (União-SC), deverá nomear defensor dativo para o deputado.
O relator do processo é o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO). A representação foi apresentada pela Mesa Diretor da Câmara por causa de comportamentos de Gilvan durante sessão da Comissão de Segurança Pública no último dia 29 de abril.
Segundo a denúncia, na ocasião, Gilvan quebrou o decoro ao proferir manifestações “gravemente ofensivas e difamatórias contra deputada licenciada para ocupar cargo de Ministra de Estado [Gleisi Hoffman], em evidente abuso das prerrogativas parlamentares, o que configura comportamento incompatível com a dignidade do mandato”.
A Mesa Diretora afirma que o deputado “fez insinuações abertamente ultrajantes, desonrosas e depreciativas“ à ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Ressalta ainda que, também na sessão, ele se envolveu em discussão acalorada com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), companheiro da petista.
Defesa do deputado
Ao se defender da representação em maio, o parlamentar disse que Lindbergh provocou ele primeiro na reunião da Comissão de Segurança Pública no dia 29 de abril.
“O líder do PT, Lindbergh, estava atrás da minha cadeira, na outra poltrona, dizendo que ele iria me cassar, dizendo que eu era bandido, que eu era desqualificado. E meu erro, e eu aqui assumo, eu sou homem de assumir, é de ficar pilhado e de reagir a uma ofensa”, afirmou.
Ele negou também que tenha proferido ofensas contra Gleisi. “Em nenhum momento da minha fala, eu quero que se prove isso, eu me dirigi qualificando a deputada Gleisi Hoffmann”, disse.
Ainda segundo Gilvan, na reunião do dia 29, citou ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, “que existia provavelmente uma planilha de pagamento de propina da Odebrecht a políticos”. “Se é verdade, não sei, mas em toda a imprensa diz que existia uma planilha da Odebrecht em pagamento de propina. Eu citei num primeiro momento Montanha, Lindinho e Amante, mas se procurarem na internet, a lista é farta”.
Entretanto, ele nega que tenha dito quem era Montanha, Lindinho e Amante. “Em nenhum momento eu ofendo a deputada Gleisi Hoffmann. Eu quero que me provem. Eu qualifico o apelido Amante que está na planilha [dizendo que deve ser uma prostituta]. O que é uma prostituta? É uma pessoa que vende o seu sexo por dinheiro. O político, seja ele homem ou mulher, que vende favores à empresa Odebrecht por dinheiro, é o que? Então eu citei o apelido”.
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