Comissão da Câmara quer ouvir Vieira e Amorim sobre tarifaço e facções
Comissão de Relações Exteriores aprovou convites ao chanceler brasileiro, ao assessor especial de Lula e a José Múcio
A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 10, requerimentos de convite ao chanceler brasileiro, Mauro Vieira, ao assessor especial do presidente Lula (PT) para assuntos internacionais, Celso Amorim, e ao ministro da Defesa, José Múcio, para comparecerem ao colegiado.
Os deputados querem ouvi-los, respectivamente, sobre as recentes sinalizações de risco de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e o impacto dessas medidas na economia nacional; sobre declarações contrárias à equiparação de facções criminosas brasileiras a organizações terroristas; e a respeito dos impactos decorrentes do bloqueio de despesas discricionárias promovido pelo Decreto nº 12.990/2026, sobre a capacidade operacional das Forças Armadas e os programas estratégicos de defesa nacional.
No caso de Vieira, os deputados querem esclarecimentos também sobre determinação da Controladoria-Geral da União (CGU) para que o Itamaraty divulgue informações sobre hóspedes oficiais em representações brasileiras no exterior.
Os requerimentos de aprovados são de autoria dos deputados Cabo Gilberto Silva (PL-PB), Helio Lopes (PL-RJ) e Marcel van Hattem (Novo-RS). Todos eram de convocação inicialmente, mas foram transformados para convite.
No requerimento referente a Amorim, Van Hattem ressalta que, em 28 de maio, o governo dos Estados Unidos anunciou a designação das facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas, mas horas antes do anúncio oficial, o assessor de Lula declarou, durante fórum internacional, que “equiparar o crime organizado ao terrorismo não é útil”.
“Embora tenha reconhecido que o crime organizado deve ser combatido com máxima energia e determinação, o assessor especial do Presidente da República rejeitou expressamente a equiparação entre organizações criminosas e grupos terroristas”, diz Van Hattem.
“Posteriormente, ao comentar a decisão dos Estados Unidos, o Sr. Celso Amorim afirmou que PCC e Comando Vermelho são problemas a serem enfrentados pelo Brasil, mas não poderiam servir de ”pretexto para intervenção’ norte-americana. Também declarou que a cooperação internacional é bem-vinda em áreas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas, mas manifestou preocupação com eventuais implicações da classificação adotada pelo governo dos Estados Unidos”.
Para o deputado, as manifestações de Celso Amorim “exigem esclarecimentos públicos e formais perante o Parlamento brasileiro. É necessário compreender, com a profundidade necessária, os fundamentos da rejeição, por parte do Governo brasileiro, à equiparação entre facções criminosas e organizações terroristas”.
As datas das audiências públicas para ouvir Vieira, Amorim e Múcio sobre os diferentes temas ainda serão marcadas. Por se tratar de convite, eles não são obrigados a comparecer.
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