Comissão conclui que Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar
Relatório elaborado por historiadora foi aprovado pelo órgão; certidão de óbito do ex-presidente deve ser retificada
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou nesta sexta-feira, 29, o relatório que aponta que o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o JK, foi assassinado pelo ditadura militar instaurada no Brasil com o golpe civil-militar de 1964. O documento contesta a versão oficial de que JK morreu vítima de um acidente automobilístico em 22 de agosto de 1976.
Segundo o documento, a premissa na qual muitos se baseavam para justificar o acidente como fatalidade, ou seja, a batida de um ônibus na traseira do veículo, nunca ocorreu.
Foram seis votos a favor do relatório e uma abstenção. O documento foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso JK na CEMDP.
Maria Cecília vinha trabalhando com o caso desde novembro de 2024. O relatório foi elaborado a partir de vários elementos públicos, como um inquérito do Ministério Público Federal (MPF), de 2019.
A Comissão é um órgão de Estado, cujo apoio técnico-administrativo é de responsabilidade do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Ela foi criada por meio da Lei n. 9.140, de 4 de dezembro de 1995.
A CEMDP tem a finalidade de proceder ao reconhecimento de pessoas mortas ou desaparecidas em razão de suas atividades políticas; de empregar esforços para a localização dos corpos desses indivíduos; e de emitir parecer sobre os requerimentos relativos à indenização que venham a ser formulados por seus familiares.
Após a aprovação, o relatório foi apresentado em uma coletiva de imprensa em São Paulo promovida pelo CEMDP e o MPF, nesta sexta. Segundo o portal g1, Maria Cecília detalhou que um encontro com emissários do então presidente Ernesto Geisel teria sido o motivo para que JK escolhesse fazer a viagem de carro, e não de avião.
A reunião teria sido utilizada para atrair JK ao local onde o carro com ele bateu. O motorista do ex-presidente havia percebido algo estranho no veículo antes da viagem.
A relatora identificou 37 fraudes na apuração da morte de JK. A lista inclui a chegada de militares ao local do acidente cerca de 20 minutos após ocorrer. Os militares assumiram imediatamente o controle do local, o que teria permitido a adulteração de provas.
Com a aprovação do relatório, a Comissão deve trabalhar para que a certidão de óbito do ex-presidente seja retificada.
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