Combustível adulterado escondia esquema bilionário em SP
Polícia Civil, Receita Federal, MP e ANP cruzaram dados fiscais e financeiros para expor rede de lavagem de dinheiro
Uma força-tarefa formada por centenas de agentes estaduais e federais desarticulou, na quinta-feira, 28, uma organização criminosa infiltrada no setor de combustíveis paulista, para lavar dinheiro por meio de fintechs, distribuidoras e postos de abastecimento.
A Operação Fluxo Oculto cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, e resultou na apreensão de mais de R$ 352 mil em reais, além de dólares, euros e outras moedas estrangeiras.
“Nunca vi em toda minha carreira tantas operações conjuntas como temos feito ultimamente. Essa parceria só tem a acrescentar não só nos trabalhos de combate ao crime organizado, mas também mostra à população a extensão dessas ações, investigações e fiscalizações para impedir que essas quadrilhas escondam os recursos ilícitos em negócios aparentemente lícitos”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, durante coletiva de imprensa.
Bancos paralelos e nafta desviada
As investigações identificaram dois eixos do esquema. No primeiro, instituições de pagamento — as chamadas fintechs — operavam como estruturas financeiras paralelas da organização, viabilizando transferências internas entre distribuidoras e postos, pagamentos a integrantes do grupo e ocultação da procedência do dinheiro.
No segundo eixo, nafta petroquímica era desviada para abastecer terminais e postos de forma irregular. Empresas de fachada simulavam operações comerciais para conferir aparência legal às transações com solventes empregados na adulteração de combustíveis.
Ao todo, foram apreendidos 26 celulares e 10 computadores, além das divisas em espécie — US$ 59,2 mil, € 12,4 mil e um total superior a 60 mil unidades de outras moedas estrangeiras.
Cooperação entre órgãos tornou investigação possível
A apuração mobilizou 18 delegados da Polícia Civil e 176 policiais militares do estado de São Paulo, além de 87 promotores de Justiça, 38 auditores-fiscais da Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP), 10 fiscais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e 135 servidores da Receita Federal.
Cada instituição atuou em frente específica: a Polícia Civil e o Ministério Público conduziram as investigações criminais e o rastreamento dos envolvidos; a Sefaz-SP mapeou irregularidades fiscais; a Receita Federal e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SP) cruzaram dados financeiros e patrimoniais; e a ANP contribuiu com perícias técnicas sobre os produtos desviados.
“Foi uma operação de intensa cooperação interfederativa e interinstitucional. Conseguimos desvendar essa arquitetura financeira de lavagem de dinheiro e atacamos o pilar financeiro dessas organizações criminosas”, afirmou o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.
De acordo com as autoridades, a ação representa mais uma etapa de um esforço contínuo para expor os mecanismos financeiros que sustentam o crime organizado dentro de setores legítimos da economia.
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