Clarita Maia na Crusoé: A ideologia do atraso
Antissemitismo nas declarações de Jessé Souza revela o terraplanismo da esquerda
O documentário A 13ª Emenda, dirigido por Ava DuVernay, demonstra como o filme O Nascimento de uma Nação (1915) exerceu papel central na consolidação de estereótipos racistas ao retratar a população negra como ameaça sexual e moral.
Ao glorificar a supremacia branca e apresentar a Ku Klux Klan como uma suposta força civilizatória no pós-Guerra Civil, a obra não apenas legitimou simbolicamente a violência, os linchamentos e a exclusão institucional, como também produziu efeitos concretos e duradouros no sistema de Justiça americano.
Essa narrativa ajudou a sedimentar um imaginário coletivo que, décadas mais tarde, se traduziria em erros judiciais emblemáticos, como o caso dos Cinco do Central Park, adolescentes negros e latinos injustamente condenados em 1989 por um crime que não cometeram.
A posterior confissão do verdadeiro autor, corroborada por provas de DNA, revelou, de forma contundente, o papel devastador dos estereótipos raciais na produção da injustiça social e penal.
Esse mecanismo não é episódico nem restrito ao racismo contra negros.
É precisamente essa mesma engrenagem simbólica que reaparece nas recentes declarações de Jessé Souza, ao atribuir o caso Jeffrey Epstein ao chamado “sionismo judaico” e a um suposto “lobby judaico mundial”.
As declarações analisadas não configuram crítica política legítima, mas reproduzem o conspiracionismo antissemita historicamente estruturado a partir de Os Protocolos dos Sábios de Sião.
A obra é uma falsificação política deliberada, criada para legitimar perseguições do Império Russo contra judeus e dar força aos seus projetos autoritários.
Há mais de noventa anos, o Processo de Berna (1933–1937) condenou Os Protocolos como plágios e narrativas difamatórias, destinadas à desumanização coletiva. Todavia, seu léxico conspiratório reaparece em falas antissemitas.
Discursos contemporâneos que evocam “elites globais”, “engenharia financeira”, “manipulação midiática” ou “lobbies ocultos” para explicar fenômenos complexos são herdeiros diretos do folhetim, comprovando as primeiras fake news políticas da história contemporânea.
Dissociados de sua origem antissemita explícita, esses termos tentam preservar intacta a arquitetura conspiratória inaugurada pelos Protocolos.
O que se observa, portanto, não é crítica política legítima…
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