Ciro troca o Planalto pelo Ceará em busca de sobrevida política
Depois de quatro disputas presidenciais e de uma queda acentuada na votação de 2022, ex-governador tenta voltar ao cargo que ocupou nos anos 1990
Depois de quatro tentativas de chegar ao Palácio do Planalto, Ciro Gomes (PSDB) voltou ao ponto de partida de sua trajetória política. Aos 68 anos, o ex-ministro e ex-governador do Ceará disputa, contra o petista Elmano de Freitas, novamente o governo de seu estado natal, em uma eleição que pode definir não apenas seu futuro político, mas também o espaço que o PSDB terá na política nacional nos próximos anos.
Ciro aparece na liderança das pesquisas, mas apenas numericamente. Datafolha divulgado em 25 de setembro aponta Ciro com 44% das intenções de voto contra 43% do petista.
Nas últimas duas décadas, Ciro disputou o Palácio do Planalto. Em 2018, pelo PDT, alcançou seu melhor resultado nacional: 13,3 milhões de votos, suficientes para terminar em terceiro lugar. Em 2022, porém, sua votação despencou para 3,6 milhões, e ele terminou em quarto atrás de Simone Tebet, que até então estava no MDB.
A volta ao Ceará não é, portanto, apenas uma mudança de cargo. Representa uma tentativa de reconstrução a partir de uma base política que já foi muito mais sólida.
Ciro governou o Ceará entre 1991 e 1994 e deixou o cargo para disputar a Presidência. Mais de três décadas depois, retorna à disputa estadual em circunstâncias completamente diferentes. O estado passou a ser dominado eleitoralmente pelo PT, enquanto o grupo político dos irmãos Ciro e Cid Gomes sofreu uma ruptura que aproximou Cid do campo petista e levou Ciro a romper com o PDT.
A candidatura pelo PSDB é também uma aposta de reconstrução partidária do tucanato, em uma articulação capitaneada pelo ex-senador Tasso Jereissati.
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Em 2026, o PSDB chegou a cogitar lançar Ciro como candidato à Presidência da República, mas ele desistiu; Aécio Neves também foi apontado como pré-candidato, mas, sem espaço, resolveu disputar o Senado em Minas Gerais, em uma situação nada cômoda para o ex-presidenciável.
O partido, que governou o Brasil com Fernando Henrique Cardoso entre 1995 e 2002 e chegou ao segundo turno presidencial com José Serra, em 2002 e 2010, e Aécio Neves, em 2014, viu sua influência nacional encolher nas eleições seguintes e agora vê em Ciro Gomes a chance de governar um dos mais importantes estados do Brasil.
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