Ciro Gomes fica fora de ato do PL no Ceará
Pré-candidato do PSDB ao governo cearense evita presença em evento de Flávio Bolsonaro para manter aliança restrita ao estado
O pré-candidato tucano ao governo do Ceará, Ciro Gomes, não comparecerá ao evento promovido pelo PL nesta sexta-feira, 10, em Fortaleza, no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lança as candidaturas do partido no estado.
A ausência, segundo interlocutores, reforça a intenção dos dois grupos de restringir a parceria política ao cenário estadual, sem repercussão nacional.
A assessoria de Ciro justifica a falta afirmando que se trata de um compromisso do PL e que o pré-candidato não se encontra no Ceará nesta semana. Nos bastidores, porém, fontes ouvidas pelo Globo indicam que a decisão também busca evitar que a aproximação entre os partidos seja interpretada como aliança política de maior escala.
Acordo eleitoral e limites da aliança
A composição entre PL e PSDB foi firmada com vistas à disputa contra o governador Elmano de Freitas (PT). Pelo entendimento, os bolsonaristas apoiam a candidatura de Ciro Gomes ao Executivo estadual, enquanto os tucanos declaram apoio a Alcides Fernandes (PL) — pai do deputado André Fernandes (PL-CE) — na corrida ao Senado.
Segundo relatos, a orientação entre os grupos é manter agendas separadas e evitar gestos que sugiram alinhamento político mais amplo entre Ciro e Flávio. A avaliação predominante é que uma aproximação pública entre os dois traria mais desvantagens do que ganhos eleitorais para ambos os lados.
Origem do racha com Michelle Bolsonaro
A aliança no Ceará foi o estopim da crise entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela defendia a candidatura da então vereadora Priscila Costa (PL) ao Senado e era contrária à cessão de espaço ao PSDB na chapa estadual.
O desentendimento resultou na divulgação de um vídeo em que Michelle criticou publicamente o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Dias depois, ela deixou a presidência nacional do PL Mulher.
Trajetória e distanciamento com o PT
Ciro Gomes foi ministro da Integração Nacional no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre 2003 e 2006. O rompimento com o petismo ocorreu em 2018, quando teria recusado convite para compor a chapa como vice de Lula e viajou a Paris durante o segundo turno entre o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o então candidato Jair Bolsonaro.
Desde 2022, o pré-candidato tucano intensificou críticas ao governo petista, postura que também motivou o afastamento de seu irmão, o senador Cid Gomes, que deixou o PDT e migrou para o PSB.
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