Celina Leão critica Eduarda Campopiano por negar existência do feminicídio
Governadora do DF e integrante do PP defendeu tipificação do crime após federação União Progressista declarar apoio a Flávio Bolsonaro
A governadora do Distrito Federal e candidata a reeleição, Celina Leão (PP), criticou a deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL) por questionar a existência do feminicídio. A declaração ocorreu nesta terça-feira, 6, após a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, anunciar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial.
Em entrevista, Celina afirmou que a declaração de Campopiano é um erro e defendeu a manutenção da tipificação do feminicídio como crime de gênero.
“É um erro isso, sabe? É um erro. É um reforço. Como é que a gente saberia quantas mulheres são assassinadas se você não tivesse essa tipificação desse crime?”, afirmou.
Campopiano, que foi a deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1,95 milhão de votos, declarou durante a campanha que não acreditava na existência do feminicídio e defendeu que agravantes fossem aplicados a crimes cometidos contra mulheres, mas também a outras vítimas.
Celina afirmou que a violência contra a mulher não pode ser tratada como uma ocorrência comum e defendeu políticas públicas específicas de prevenção e proteção.
“Feminicídio é um crime de gênero. Ele não pode ser estudado como violência normal. Ele é crime de gênero. Ele envolve machismo, ele envolve preconceito”, disse.
A governadora também defendeu o aumento dos investimentos em políticas públicas para mulheres e citou programas de proteção a vítimas de violência. Segundo ela, o Distrito Federal mantém um programa de auxílio-aluguel para mulheres que deixam situações de violência e precisam permanecer em endereços não divulgados.
Celina também defendeu regras mais rígidas para casos de reincidência de crimes contra mulheres e afirmou que a escalada da violência precisa ser combatida antes que resulte em feminicídio.
“A escalada da violência contra as mulheres depende de muitas coisas. Ela depende de investimento financeiro, de uma educação, de modelos verdadeiros”, afirmou.
A governadora disse ainda que mulheres de direita precisam participar desse debate dentro do próprio campo político.
“A gente tem que ter mulheres na posição que nós estamos, mulheres de direita, para defender isso dentro da direita, para falar que nós não vamos aceitar isso, que nós não vamos aceitar violência contra nós”, declarou.
A declaração de Celina ocorre no mesmo dia em que PP e União Brasil oficializaram apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. A decisão foi anunciada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) e aprovada pelas lideranças da federação.
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