Castro cobra Lula por “blindados” em operações policiais
"Falaram que tem que ter uma GLO. Depois, que poderiam emprestar e voltaram atrás, porque o servidor que opera o blindado é federal", disse o governador
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), cobrou uma atuação mais integrada entre os governos estadual e federal no combate ao crime organizado, durante o balanço da megaperação das forças de segurança do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV) nesta terça, 28.
Segundo Castro, o pedido de apoio com blindados das Forças Armadas foi negado pelo governo federal em três ocasiões:
“Já entendemos haver a política é de não ceder (blindados das Forças Armadas). Falaram que tem que ter uma GLO (Garantia de Lei e Ordem). Depois, (disseram) que poderiam emprestar e voltaram atrás, porque o servidor que opera o blindado é federal e deveria ter a GLO, enquanto o presidente já falou que é contra a GLO”, disse.
ADPF
Castro também criticou a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, que restringe as atividades policiais em comunidades.
Para ele, as organizações criminosas se fortaleceram durante a vigência da ADPF e que as disputas territoriais entre grupos rivais aumentaram nos últimos quatro anos.
“Essa operação de hoje tem muito pouco a ver com segurança pública. Ela é uma operação de defesa. É um estado de defesa. Essa é uma guerra que tá passando dos limites de onde o estado deveria estar sozinho defendendo. Para uma guerra dessa, que nada tem a ver com a segurança urbana… Realmente nós deveríamos ter um apoio muito, muito maior, talvez até, nesse momento, até de Forças Armadas, porque essa é uma luta que já extrapolou toda a ideia de segurança pública”, afirmou Castro ao divulgar o balanço.
“Tudo aquilo que está lá na Constituição Federal extrapola completamente quando você tem essa quantidade de armas que vem através do tráfico internacional de armas. Essa quantidade de poder bélico que vem de um financiamento feito por lavagem de dinheiro. Ou seja, não é mais só a responsabilidade do estado. O estado tá fazendo a sua parte, sim. Mas quando ela fala em exceder, exceder inclusive as nossas competências. Já era para estar tendo um trabalho de integração muito maior com as forças federais, o que nesse momento não está acontecendo. O Rio de Janeiro viu em 2010, o Brasil inteiro viu, um trabalho de integração e hoje o Rio está sozinho”, acrescentou.
“O Rio está sozinho nessa guerra e aí é muito fácil criticar as forças estaduais, criticar o governador quando o estado está, talvez, sim, excedendo as suas competências. Como nós jamais abandonaremos a população, se tiver que exceder, nós excederemos mais ainda para proteger a nossa população”, seguiu.
Operação Contenção
Segundo o Palácio Guanabara, trata-se da operação mais letal da história das forças de segurança do estado.
O último balanço aponta 64 mortos, entre eles quatro policiais.
A ação faz parte da Operação Contenção, iniciativa permanente do governo fluminense para conter o avanço do CV.
Cerca de 2,5 mil agentes foram mobilizados para cumprir 100 mandados de busca e apreensão.
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