Viana a Alcolumbre: “Não pode mais ficar omisso” sobre Moraes
Senador cita contrato de 131 milhões de reais, mensagens de Vorcaro e cobra investigação sobre atuação do ministro
O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou nesta terça-feira, 1º, um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em coletiva de imprensa, Viana afirmou que o Senado não pode mais se omitir diante das novas informações envolvendo o magistrado e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
O parlamentar também cobrou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e afirmou que a Casa precisa dar uma resposta às denúncias.
“Hoje o Senado não pode mais ficar omisso. O Senado é a Casa que tem que ter altivez para trazer uma investigação séria, transparente e firme”, afirmou.
Viana disse que não pretende pré-condenar Moraes, mas defendeu o afastamento imediato do ministro enquanto as suspeitas são apuradas.
“O ministro Alexandre de Moraes tem que ser afastado do cargo imediatamente”, declarou.
Contrato de 131 milhões de reais
O senador citou o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Segundo Viana, o documento e seus metadados precisam passar por perícia para esclarecer a participação de Moraes na elaboração do contrato.
“Nós temos de saber exatamente qual foi a participação de Alexandre de Moraes nesse contrato. O que ele analisou, o que foi alterado, quem acessou o arquivo, de qual equipamento, qual versão entrou, qual versão saiu e quais alterações foram feitas?”, afirmou.
Viana disse ter solicitado a preservação do arquivo original, dos metadados e do histórico de versões, além da identificação dos equipamentos e contas utilizadas para acessar o documento.
O caso ganhou repercussão após a Polícia Federal identificar, nos metadados do contrato, um perfil denominado “Ministro Alexandre de Moraes” entre os responsáveis por alterações no arquivo. O escritório de Viviane afirmou que Moraes teve acesso à minuta e foi consultado para verificar possíveis impedimentos jurídicos.
O senador afirmou que o contrato é apenas uma parte das suspeitas e citou as mensagens atribuídas a Vorcaro que teriam sido recuperadas pela investigação da PF.
Mensagens antes da prisão de Vorcaro
Viana destacou a cronologia das conversas atribuídas ao ex-banqueiro nos dias que antecederam sua prisão.
Segundo o senador, em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão, Vorcaro teria procurado Moraes e mencionado a necessidade de estar fora do país. No dia seguinte, teria perguntado ao ministro se havia possibilidade de a prisão ocorrer na manhã seguinte.
“Como Vorcaro sabia? Como ele sabia da prisão ou da operação da Polícia Federal? Por que fazia essas perguntas a Alexandre de Moraes?”, questionou.
Para Viana, a investigação precisa reconstruir integralmente as comunicações entre o banqueiro e o ministro e identificar quem tinha acesso às informações sobre a operação policial.
O senador também citou referências a “Paulo” e “Andrei” encontradas no material atribuído a Vorcaro, que, segundo ele, precisam ser esclarecidas diante da possibilidade de menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
“Quem sabia o quê e em que momento sabia? Porque essa é a pergunta central”, afirmou.
CPMI já havia encontrado ligação
O senador também relembrou os trabalhos da CPMI do INSS. Segundo ele, a comissão havia identificado um número de telefone relacionado às comunicações de Vorcaro e recebido uma resposta oficial indicando vínculo da linha com o Supremo Tribunal Federal.
Viana afirmou que, na ocasião, pediu ao STF informações sobre quem utilizava o número.
“Quem estava do outro lado? Quem falava? Quando falava? Sobre o quê? Que informações circulavam?”, questionou.
Para o senador, as novas informações divulgadas agora reforçam a necessidade de retomar a investigação.
Cobrança a Alcolumbre
Viana afirmou que o pedido de impeachment foi entregue à Presidência do Senado e que Alcolumbre não poderá alegar desconhecimento da representação.
O senador também protocolou um requerimento para que Moraes seja chamado ao Senado para prestar esclarecimentos.
“Nós queremos que ele venha aqui até para se defender e colocar as cartas de forma clara”, disse.
Viana afirmou ainda que, caso Alcolumbre arquive ou engavete o pedido, poderá iniciar uma campanha pelo afastamento do presidente do Senado.
“Se o presidente do Senado ignorar mais uma vez o pedido de impeachment e investigação sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal, eu vou levantar uma campanha de impeachment do presidente do Senado”, declarou.
Em publicação nas redes sociais, Viana já havia feito a mesma cobrança e afirmado que, caso o pedido fosse engavetado para proteger Moraes, pediria o afastamento de Alcolumbre da Presidência da Casa.
O senador encerrou a coletiva defendendo que o Senado retome o papel de fiscalização sobre integrantes do Supremo.
“É hora de nós retomarmos a verdade e dizermos ao povo brasileiro que esta Casa não tem medo, que esta Casa cumpre o papel dela”, afirmou.
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Comentários (1)
Marian
01.09.2026 18:39É um escândalo sem precedentes. Os Senadores têm o dever de pensar no país.