“Careca do INSS” foi “líder e operador central do esquema de fraudes”, diz CPMI
Relatório final da CPMI do INSS pede indiciamento também de Maurício Camisotti, Alessandro Stefanutto e Euclydes Pettersen
O relatório final da Comissão Parlamentar Mista (CPMI) do INSS diz que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS“, foi “líder e operador financeiro central do esquema de descontos indevidos” em aposentadorias e pensões. O relatório foi apresentado nesta sexta-feira, 27, pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e pede o indiciamento do lobista.
“Ele atuou como o epicentro da corrupção ativa, unindo os núcleos político, institucional e empresarial para a fraude sistemática contra aposentados. Sua atuação era o ‘pilar de sustentação’ que unia o núcleo político, os dirigentes do INSS e as entidades associativas”, diz o documento.
“Antônio Carlos Camilo Antunes utilizou procurações de diversas entidades (como AMBEC, CBPA, ABAPEN, ABRASPREV) para negociar Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) diretamente com a cúpula do INSS. Em troca de proteção e facilidades, ele operou um ‘caixa de propinas’. Anotações em seus cadernos manuscritos vinculam pagamentos de 5% a nomes como ‘Stefanutto’ e ‘Virgílio’, além de menções cifradas à ‘Justiça do DF’ e à quantia de R$ 150 milhões”.
Gaspar prossegue: “O investigado é apontado como o responsável por conseguir dados cadastrais e senhas de acesso aos sistemas do INSS/Dataprev de forma ilícita. Essas informações alimentavam as adesões em massa forjadas pelas associações para implementar descontos sem a autorização dos segurados. Antunes utilizou uma rede de empresas de fachada (como PROSPECT, ACCA, BRASILIA CONSULTORIA) para movimentar o produto do crime”.
Segundo o relator, somente da CBPA, seu núcleo recebeu 76,2 milhões de reais. “Para ocultar o patrimônio, constituiu a offshore Camilo & Antunes Limited (RPDL Ltd) nas Ilhas Virgens Britânicas, utilizada para a aquisição de quatro imóveis no Brasil avaliados em R$ 11.050.000,00”.
Gaspar pede o indiciamento do Careca do INSS por organização criminosa; corrupção ativa; lavagem ou ocultação de bens e valores; furto mediante fraude com uso de dispositivo eletrônico; fraude eletrônica; e inserção de dados falsos em sistema de informações.
Outros indiciados
O relatório de Gaspar, que ainda será votado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, pede ainda o indiciamento do:
- Empresário Maurício Camisotti, por organização criminosa, lavagem de dinheiro, furto eletrônico, fraude eletrônica, falsidade ideológica, corrupção ativa e participação em inserção de dados falsos em sistema de informações;
- O ex-presidente do INSS e ex-procurador-geral federal especializado junto ao INSS Alessandro Stefanutto, por lavagem ou ocultação de bens e valores, corrupção passiva, organização criminosa, prevaricação, inserção de dados falsos em sistema de informações, furto eletrônico a título de omissão imprópria e fraude eletrônica a título de omissão imprópria; e do
- Deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), por organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato-desvio.
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