Canella evita cravar candidatura ao Senado e aguarda União Brasil
Ex-prefeito de Belford Roxo perdeu força após operação da PF, mas afirmou que segue confiante na Justiça
O União Brasil realizou nesta sexta-feira, 31, a convenção eleitoral no Rio de Janeiro e confirmou os candidatos a deputado estadual e federal.
A legenda, no entanto, adiou o anúncio de apoio a um candidato ao governo do estado e também não definiu quem apoiará para o Senado.
A expectativa é de que o partido declare apoio ao ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, cuja candidatura perdeu força após a Operação Unha e Carne
Canella foi preso em flagrante por porte ilegal de arma depois que a Polícia Federal encontrou um fuzil calibre 5,56 em seu veículo. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi colocado em liberdade e responde ao processo em medidas cautelares.
Apesar do cenário, Canella afirmou durante a convenção que a decisão sobre sua candidatura não será individual.
“Não sou candidato de mim mesmo. Sou candidato de um grupo. Vocês sabem dos últimos acontecimentos. Continuo confiando na Justiça, de cabeça erguida”, afirmou Márcio Canella durante o evento.
Canella permanece em casa, sem o uso de tornozeleira eletrônica. Com o esclarecimento sobre a situação da arma, a expectativa entre aliados é de que sua candidatura seja mantida.
Bolsonarismo enfraquecido
O bolsonarismo está perdendo forças em seu principal berço político.
No Rio de Janeiro, o nome apoiado pelo PL para disputar o governo do estado ainda não conseguiu decolar nas pesquisas.
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas, aparece com apenas 16% das intenções de voto.
O desempenho o coloca a uma distância significativa do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), que lidera a disputa com o apoio do presidente Lula (PT).
Espólio político
O cenário contrasta com o desempenho recente do bolsonarismo no estado.
Em 2018, Jair Bolsonaro conquistou 68% dos votos válidos no Rio de Janeiro na eleição presidencial.
No cenário nacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL) hoje aparece nas pesquisas cerca de 30 pontos percentuais abaixo da votação obtida pelo pai, indicando que a transferência do capital político de Bolsonaro não ocorre de forma automática.
Além disso, Douglas Ruas é pouco conhecido na capital e no interior do estado.
“No âmbito nacional, ocorreram vários fatores que minaram Flávio. O Douglas Ruas também não é conhecido. É diferente do Eduardo Paes, que teve tempo para reconstruir seu recall político. O Douglas praticamente teve de se construir do zero”, diz Guilherme Dall’orto, doutor em Ciência Política pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, UERJ.
Leia mais em Crusoé: O Rio sem bolsonarismo
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