Campanha de Lula minimiza impacto de caso Lulinha e vê “vida mais dura” para Flávio
Pesquisa interna mostra variações dentro da margem de erro nas intenções de voto em Lula, mas com ele liderando cenários
A divulgação de mensagens trocadas por Fábio Luís Lula da Silva – o Lulinha -, filho do presidente Lula (PT), com Roberta Luchsinger não impactou significativamente a imagem do petista, por enquanto, segundo sua campanha à reeleição.
Um coordenador ouvido por O Antagonista aponta que, conforme pesquisa interna, ocorreram variações dentro da margem de erro nas intenções de voto em Lula, mas com o presidente liderando em todos os cenários e vencendo no segundo turno.
O aliado do petista avalia que a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai se apegar às suspeitas sobre Lulinha para tentar “igualar” a campanha de Lula à do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas que “a vida deles é mais dura”. “E explico: Fábio não é candidato, Marcola não é candidato, Flávio Bolsonaro, sim”.
A campanha de Lula deve explorar o fato de que Flávio teve uma proximidade com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
“Dele [Flávio] tem áudio, telefonemas e encontros com Vorcaro; Nota Fiscal, transferência de milhões e confissão de culpa após mentir reiteradamente para o Brasil. Lula já disse e vai repetir que quem tem culpa deve responder e pagar. Flávio topa ser investigado, responder e pagar pelos milhões que recebeu de Vorcaro?”, diz o coordenador da campanha de Lula.
A conversa de Lulinha com Luchsinger
Entre as mensagens trocadas por Lulinha com Luchsinger que vieram à tona nos últimos dias, estão as de março de 2024 que sugerem que a dupla, investigada pela Polícia Federal por tráfico de influência, atuava em lobby junto do gabinete de Lula.
No diálogo, o filho de Lula disse que participou de reuniões com o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa, o Berger.
Eis o diálogo:
[Roberta Luchsinger]: Nosso nível tá outro.
[Roberta Luchsinger]: Nosso futuro é a Suíça.
[Roberta Luchsinger]: Poucos negócios é bom.
[Roberta Luchsinger]: Esse povo aqui tá em outra vibe.
[Lulinha]: Isso… deixa eles… trabalho para caralho e nunca da em nada.
[Roberta Luchsinger]: Decepção tá.
[Lulinha]: É que o Fernando abusa… Todo dia tem um pedido novo pra ele… todo santo dia… Ele parou de atender ZP e Fernando.
[Roberta Luchsinger]: Marcola não quer.
[Roberta Luchsinger]: Ele tá incomodado.
[Roberta Luchsinger]: I falou pra gente almoçar com Berger e ele sem Fefe.
[Roberta Luchsinger]: Pq ele não quer mesmo.
[Lulinha]: Isso… Já é o terceiro almoço que eu tenho com ele ele pede pra ser só entre nós.
Sócio de Lulinha
Segundo os investigadores, “Fernando” ou “Fefe” a quem Lulinha e Roberta se referem é Fernando Bittar, ex-sócio do filho do presidente Lula e um dos donos formais do sítio de Atibaia.
O sítio que era usado por Lula em Atibaia, e que lhe rendeu uma condenação por lavagem de dinheiro e corrupção passiva na Operação Lava Jato, foi comprado em 2010 pelo valor de 1,5 milhão de reais.
Desse valor, 1 milhão de reais foi pago por Jonas Suassuna.
Os 500 mil reais restantes foram pagos por Fernando Bittar, filho do ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar e irmão de Kalil Bittar.
As planilhas também mostram que Kalil Bittar recebeu 750 mil reais de Lulinha entre 2022 e 2025. Os pagamentos eram realizados mensalmente no valor de 50 mil reais.
Curiosamente, os valores pagos para Jonas Suassuna (700 mil reais) e Kalil Bittar (750 mil reais) totalizam 1,450 milhão de reais, quase o valor que foi pago pelo sítio em 2010 (sem contar a inflação).
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