Câmara escolhe petista para vaga no TCU
Odair Cunha, indicado pelo governo, venceu com 303 votos após acordo com Motta e frustrou os planos de Flávio Bolsonaro
A Câmara dos Deputados elegeu nesta terça-feira, 14, o deputado Odair Cunha (PT-MG) para ocupar a próxima vaga de ministro do TCU. Ele recebeu 303 votos em votação secreta. A escolha consolidou o acordo entre PT e Hugo Motta, selado quando da eleição do paraibano para o comando da casa.
Flávio Bolsonaro tentou articular candidatura única de oposição, mas a estratégia fracassou após desistência de Soraya Santos. O nome ainda será analisado pelo Senado.
Resultado da votação e desistências
O segundo colocado foi Elmar Nascimento (União Brasil-BA), que somou 96 votos. Danilo Forte (PP-CE), indicado pela federação PSDB/Cidadania, obteve 27 votos. Hugo Leal (PSD-RJ) recebeu 20 votos e Gilson Daniel (Podemos-ES), 6 votos. Adriana Ventura (Novo-SP) desistiu antes do início da sessão.
O PL orientou “voto útil contra o PT” no candidato do União Brasil após a retirada de Soraya Santos. A deputada anunciou que abandonaria “em nome de um projeto maior” e “porque eu quero ver Flávio eleito nesse país”. Segundo ela, houve acordo para que as próximas vagas do STJ e TCU sejam preenchidas por mulheres.
Flávio Bolsonaro deu a palavra final sobre a escolha de Elmar Nascimento em substituição a Soraya, mas não compareceu à sessão. A desistência encerrou a defesa do senador por uma mulher no TCU, que durou menos de uma semana.
Trajetória e controvérsias do eleito
Odair Cunha é deputado federal há seis mandatos, totalizando 23 anos no Parlamento. Formou-se em direito em 1999 pela Faculdade de Direito de Varginha e trabalhou como procurador municipal e assessor jurídico de Câmaras Municipais em Minas Gerais. Foi secretário de Estado de Governo durante a gestão de Fernando Pimentel (PT).
Cunha foi citado em delações da Lava Jato e investigado no STF sob suspeita de apropriação indébita de valores da Confederação Nacional dos Transportes. Em 2019, o tribunal remeteu o processo à primeira instância, pois os fatos não estariam relacionados ao exercício do mandato. Ele nega as acusações.
Em discurso antes da votação, Cunha defendeu as emendas parlamentares: “A emenda parlamentar não é um problema, emenda é solução, um instrumento legítimo da política, uma forma concreta de fazer com que o parlamento chegue na vida das pessoas”, afirmou.
A vaga foi aberta pela aposentadoria do ex-deputado Aroldo Cedraz, indicado pelo Congresso em 2006. O candidato aprovado poderá ocupar o cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.
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