Butantan assume gestão de laboratório para ampliar produção farmacêutica
Governo paulista formaliza fusão de laboratórios públicos para expandir produção de medicamentos e resposta a crises sanitárias
O Instituto Butantan deverá assumir a gestão da Fundação para o Remédio Popular (Furp), o laboratório farmacêutico público oficial do Estado. O diretor do instituto, Esper Kallás, confirmou a transição após o governo estadual enviar o projeto de lei à Assembleia Legislativa de São Paulo nesta sexta-feira, 2.
A proposta visa evitar a duplicidade entre as duas instituições estaduais e fortalecer ambas, integrando a produção de vacinas e soros com a fabricação de medicamentos. O processo será realizado por meio de trâmites burocráticos que envolvem a extinção da Furp e a subsequente cessão de todos os seus bens e patrimônio ao Butantan.
Manutenção da estrutura e flexibilidade gerencial
O diretor Esper Kallás assegurou que, sob o novo formato, a força de trabalho da atual Furp será preservada. Isso inclui a manutenção dos colaboradores, mesmo aqueles em cargos comissionados. A produção do portfólio de medicamentos do laboratório público também será mantida.
A integração foi estudada pela Secretaria de Estado da Saúde e pelas duas instituições por, pelo menos, dois anos. A avaliação final concluiu que o processo agregaria melhorias ao sistema de saúde.
Segundo Kallás, a Fundação Furp enfrentava “um pouco mais de dificuldade de conduzir os processos administrativos”. A incorporação pelo Butantan traz a agilidade que a instituição já possui em conjunto com a Fundação Butantan para gerenciar a estrutura.
O processo não deve interromper as atividades: “Tem um trâmite burocrático que vai ser a extinção da Furp e a cessão de todo o patrimônio dos bens da Furp para o Instituto Butantan. Estamos terminando de estruturar um plano para fazer da forma mais tranquila possível. A Furp não vai parar de trabalhar”, declarou Esper Kallás.
Capacidade produtiva e resposta rápida a crises
A Furp, que possui unidades operacionais em Guarulhos e Américo Brasiliense, fabrica anualmente cerca de 400 milhões de unidades farmacêuticas. O laboratório tem potencial para alcançar até 1 bilhão de unidades anuais, dada sua capacidade instalada.
O portfólio do laboratório abrange 40 medicamentos, com registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Esses produtos atendem diversas áreas, como HIV/Aids, saúde mental, imunossupressores, Alzheimer e antibióticos. Existe a intenção de expandir a atuação para oncologia e doenças raras.
Enquanto isso, o Instituto Butantan é responsável pela fabricação de vacinas contra a gripe (Influenza), hepatite A e B, HPV, raiva e DTPa. A instituição também produz 12 tipos de soros e anticorpos monoclonais, a exemplo do Adalimumabe.
A fusão completa a cadeia de atendimento à saúde pública: “Finalmente, preenchemos uma cadeia de cuidado que vai desde o processo da prevenção de doenças até o alívio de sintomas e o tratamento na hora que incorporamos a produção de medicamentos no Instituto Butantan junto com o que já fazemos, que é a produção de vacinas, de soros, de anticorpos monoclonais e terapias avançadas”, afirmou Kallás.
A integração permite a criação de um mecanismo que estabelece uma capacidade de resposta rápida. Este mecanismo poderá atender às necessidades do estado de São Paulo e do Ministério da Saúde via SUS (Sistema Único de Saúde), tanto para enfrentar problemas de saúde pública de longo prazo quanto para situações emergenciais de surtos, epidemias ou pandemias.
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