“Brasil pode liderar o futuro”, diz analista americana
Amy Webb aponta o estado de SP como ponto de convergência para as próximas transformações tecnológicas globais
“Eu sempre pensei que o Brasil pode liderar o futuro em muitas áreas diferentes e, obviamente, São Paulo é o epicentro de inovação e de negócios no país”, disse a futurista americana Amy Webb, em entrevista na SP House, espaço mantido pelo governo de SP durante o South by Southwest (SXSW), realizado em Austin, EUA, entre os dias 13 e 16 deste mês.
Webb, autora de um dos relatórios de tendências tecnológicas mais acompanhados do mundo, avalia que as transformações mais relevantes dos próximos anos não virão de invenções isoladas, mas da combinação de avanços em campos distintos.
Entre os movimentos que considera mais significativos estão o uso de dispositivos médicos para ampliar capacidades físicas e cognitivas, além das mudanças no mercado de trabalho decorrentes da automação, da robótica e da inteligência artificial.
Para a especialista, o Brasil dispõe de ativos concretos nesse cenário: minerais raros, volume de dados e potencial em inteligência artificial.
“Há muitas maneiras — seja por minerais raros, dados ou inteligência artificial — para São Paulo, sua comunidade empresarial e acadêmica realmente ajudarem a construir o futuro”, afirmou.
A articulação entre empresas, universidades e centros de pesquisa, segundo ela, será determinante para que países e regiões participem ativamente dessa construção.
Cultura como fator estratégico
Em painel realizado no dia 15, Webb foi além das análises tecnológicas e apontou um elemento cultural como possível diferencial brasileiro. Segundo ela, sociedades organizadas em torno do trabalho como valor central tendem a enfrentar com mais dificuldade o avanço da automação.
“Nos Estados Unidos, muitas pessoas se definem pelos seus empregos e não têm hobbies. Quando o trabalho é tirado, ficam perdidas”, disse. Em contraste, Webb argumentou que o Brasil apresenta outra dinâmica. “Eu acredito profundamente que o Brasil vai ser importante nesse cenário”.
Para a futurista, o senso de pertencimento característico da sociedade brasileira pode funcionar como amortecedor diante da substituição de postos de trabalho por máquinas e algoritmos.
“Uma parte interessante da cultura brasileira é essa sensação de comunidade e de união, que pode se tornar ainda mais importante à medida que o mundo se torna mais digital e, ao mesmo tempo, mais dividido”, disse.
SP House no SXSW
Esta foi a terceira participação do governo de São Paulo no SXSW com um espaço próprio. A SP House ocupou 2,2 mil metros quadrados — quase o dobro da edição anterior —, com capacidade para até 600 pessoas ao mesmo tempo e cerca de 60 horas de programação distribuídas em dois palcos.
O tema da edição deste ano, “We are borderless”, propôs uma reflexão sobre a circulação de ideias, talentos e oportunidades em um ambiente globalizado. O espaço reuniu empreendedores, investidores, pesquisadores, gestores públicos e executivos do Brasil e do exterior.
Webb também comentou o papel de encontros presenciais em um momento de expansão da inteligência artificial: “Neste momento de inteligência artificial, todo mundo está extremamente online. Ter um espaço como a SP House é uma oportunidade de reunir pessoas do Brasil e do mundo para discutir o que essas mudanças significam”.
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