Brasil comprou porta-aviões da França em 1959 por 12 milhões de dólares, vendeu o casco num leilão por R$ 10,55 milhões e resolveu afundar o navio a 350 quilômetros da costa por causa de 9,6 toneladas de amianto
O porta-aviões São Paulo, antigo Foch da Marinha francesa, teve um destino surpreendente depois de anos de serviço no Brasil.
O porta-aviões São Paulo, antigo Foch da Marinha francesa, teve um destino surpreendente depois de anos de serviço no Brasil.
Comprado da França por US$ 12 milhões em 2000, o navio foi descomissionado em 2018, vendido por R$ 10,55 milhões em 2021 e acabou afundado em fevereiro de 2023, a 350 quilômetros da costa brasileira.
O principal obstáculo para seu desmonte foi a presença de aproximadamente 9,6 toneladas de amianto.
Por que o porta-aviões São Paulo acabou no fundo do mar?
O navio foi lançado em 1959 e incorporado à Marinha francesa em 1963, como Foch, da classe Clemenceau. O Brasil comprou a embarcação em setembro de 2000, quando ela já tinha 41 anos de casco, e a incorporou à frota no mesmo ano.
Com 265 metros de comprimento, 32,8 mil toneladas e capacidade para cerca de 40 aeronaves, o São Paulo operava com catapultas a vapor e caças AF-1 Skyhawk. Após 18 anos de serviço brasileiro, foi descomissionado em 22 de novembro de 2018.
🇧🇷 Porta-aviões São Paulo (A-12) da Marinha do Brasil operando durante o Exercício Temperex em setembro de 2002. Diversas decolagens e pousos de caças AF-1 (A-4 Skyhawk) foram realizados na ocasião, em conjunto com aeronaves Super Étendard e S-2 Turbo Tracker da Argentina. pic.twitter.com/FT3MxQFyI7
— Defesa Sul Global (@DefesaSulGlobal) April 11, 2026
Como uma venda milionária terminou em um impasse no Atlântico?
O casco foi colocado em leilão em março de 2021 e arrematado pela empresa turca Sök Denizcilik ve Ticaret por R$ 10,55 milhões. A intenção era rebocá-lo até a Turquia para desmontagem.
A viagem começou em agosto de 2022, mas a Turquia recusou a entrada do navio por questões ambientais. Sem conseguir autorização para atracar em outro local, o porta-aviões permaneceu durante meses no Atlântico até que uma solução definitiva fosse tomada.
Confira o afundamento do porta-aviões São Paulo no vídeo abaixo do canal no Youtube “Band Jornalismo“.
O amianto foi o grande problema que mudou o destino do porta-aviões São Paulo?
A presença de amianto transformou o desmonte do São Paulo em um enorme desafio ambiental. Autoridades brasileiras estimaram que ainda havia cerca de 9,6 toneladas do material instalado na embarcação, utilizado durante décadas como isolante térmico e em estruturas de navios.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque o amianto exige procedimentos específicos de remoção e descarte. Sem um destino aprovado para o casco, a alternativa do afundamento acabou avançando.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho da história:
O amianto foi o grande problema que mudou o destino do navio
Cinco números ajudam a entender por que o fim do porta-aviões São Paulo se transformou em um caso tão controverso.
O que aconteceu com o porta-aviões São Paulo depois do afundamento?
Em 3 de fevereiro de 2023, a Marinha realizou o afundamento planejado e controlado do porta-aviões. O local escolhido ficava a aproximadamente 350 quilômetros da costa, dentro das Águas Jurisdicionais Brasileiras, em uma área com cerca de 5 mil metros de profundidade.
Estudos do Centro de Hidrografia da Marinha e do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira foram considerados na escolha da área. Mesmo assim, entidades ambientais e sindicais criticaram a decisão, principalmente pela permanência do amianto no casco.
O episódio deixou uma história difícil de ignorar: um porta-aviões comprado por milhões de dólares, vendido posteriormente como sucata e que, após uma viagem internacional frustrada, terminou no fundo do Atlântico. Para além da discussão militar, o caso expõe os enormes custos e desafios ambientais envolvidos no fim da vida útil de grandes navios de guerra.
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