Bolsonaro: “Se não começar votando a anistia, não tem negociação sobre tarifas”
A legislação também poderia beneficiar o ex-presidente da República, que é alvo de ação no Supremo Tribunal Federal
Em mensagem interceptada pela Polícia Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro vinculou diretamente o tarifaço de Donald Trump à aprovação da Lei da Anistia aos réus do 8 de janeiro.
A fala de Jair Bolsonaro ocorreu durante conversa com o pastor Silas Malafaia. No diálogo, Malafaia tentava pressionar o ex-presidente a dar uma fala contundente sobre o projeto de lei da Anistia como uma possível solução para o tarifaço de Trump.
“Tem que pressionar o STF dizendo que se houver uma anistia ampla e total, a tarifa vai ser suspensa. Ainda pode usar o seguinte argumento: NÃO QUEREMOS VER SANÇÕES CONTRA MINISTROS DO STF E SUAS FAMÍLIAS”, disse o pastor.
Depois, o ex-presidente responde:
“Não adianta um ou outro governador ir para os Estados Unidos, para embaixada, para não sei onde… tentar sensibilizar, não vai conseguir. Da minha parte, é por aí. Agora não posso expor, que não resolve nada”, disse o ex-presidente, que complementou em seguida.
“Resolveu anistia, resolveu tudo. Não resolveu, já era. Ele não pede nenhuma. Tenha certeza disso”, disse ele.
“SILAS MAFALAIA evidencia que a real intenção dos atos praticados pelos investigados é coagir as autoridades brasileiras (ministros do STF e parlamentares) para obter uma anistia e impunidade nas ações penais em curso, sendo tais medidas a única saída para reverter as sanções impostas pelos Estados Unidos”, descreve a Polícia Federal nas mensagens interceptadas pelo órgão.
A legislação também poderia beneficiar o ex-presidente da República, que é alvo de ação no Supremo Tribunal Federal (STF). O processo de Jair Bolsonaro será julgado na primeira semana de setembro.
Indiciamento
A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira, 20, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por coação a autoridades no curso da ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado.
“com base nos elementos probatórios apresentados neste relatório, conclui-se que EDUARDO NANTES BOLSONARO e JAIR MESSIAS BOLSONARO, com a participação de PAULO
FIGUEIREDO e SILAS LIMA MALAFAIA, encontram-se associados ao mesmo contexto, praticando condutas com o processo no qual o segundo nominado consta formalmente como réu”, configurando-se os crimes de coação no curso do processo (art. 344 do Código Penal), abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do Código de Processo Penal Brasileiro), em concurso de agentes (art. 29, caput, do Código Penal)“, diz trecho.
O inquérito havia sido aberto em maio, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA em busca de sanções contra ministros do STF. Em julho, Moraes prorrogou a apuração por mais 60 dias, destacando a necessidade de novas diligências.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)