Bolívia classifica crime organizado como terrorismo e firma pacto com Brasil
Presidente Rodrigo Paz visita Brasília, defende cooperação bilateral no combate às máfias e comemora extradição de narcotraficante ligado ao PCC
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou nesta segunda-feira, 16, que organizações criminosas como o PCC e o CV produzem uma forma de terrorismo, ao ser questionado sobre a proposta dos Estados Unidos de classificar esses grupos nessa categoria. A declaração foi feita em Brasília, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Paz esteve em visita oficial ao Brasil, com encontro no Palácio do Itamaraty, assinatura de acordos e almoço com Lula. O mandatário boliviano é considerado um líder de centro-direita e tem mantido interlocução simultânea com Washington e Brasília — postura que ele mesmo destacou ao dizer que, se em oito dias a Bolívia pôde estar com Trump e com Lula, o país merece reconhecimento por isso.
Acordo bilateral e prisão de narcotraficante
Os dois governos assinaram um acordo de fortalecimento das Ações de Cooperação e Coordenação contra o Crime Organizado Transnacional. O documento prevê parceria na busca de fugitivos ligados ao crime organizado, troca de informações entre forças policiais e acesso a especializações acadêmicas para os efetivos de ambos os países.
A visita acontece três dias após a prisão do uruguaio Sebastián Marset, apontado como um dos quatro maiores narcotraficantes da região e com vínculos ao PCC. Marset foi extraditado para os Estados Unidos. Paz celebrou a operação: “Hoje em dia, nossa sociedade está mais livre”.
O boliviano usou o caso para contextualizar sua posição sobre o debate em torno da palavra “terrorismo”: “Além das classificações de ordem vocabular, nós acabamos de fazer um esforço enorme, muito importante para a Bolívia, de entregar um dos quatro principais narcotraficantes que geravam, na Bolívia, uma espécie de terrorismo, de instabilidade e submissão”.
Tensão diplomática entre Brasil e EUA
O pano de fundo da visita é a pressão americana para designar o PCC e o CV como organizações terroristas — uma mudança de postura do governo Donald Trump. O governo brasileiro teme que a classificação abra espaço legal para intervenções dos Estados Unidos em território nacional. Há ainda preocupação com o uso político do tema na campanha eleitoral brasileira por parte da oposição.
Paz, que se reuniu com Trump no início de março durante uma cúpula com líderes de direita da América Latina, adotou linguagem mais aberta à tese americana, sem, no entanto, tomar partido de forma explícita. “O grau de classificação do terrorismo é múltiplo, é diverso, mas para nós, ter feito o que fizemos no dia a dia é central em nossa missão, contra o crime organizado, contra as máfias, mas contra o terrorismo, porque são parte de um ciclo de terrorismo”, disse.
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