Benefício ajuda mulheres a escapar do ciclo de violência em SP
Programa estadual oferece auxílio temporário para vítimas de violência doméstica reconstruírem a vida com moradia e renda própria
Uma moradora de Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo, usou o auxílio-aluguel do governo estadual como ponto de partida para montar um negócio de cuidados com animais domésticos.
Identificada apenas como Ana Paula (nome fictício para proteger sua identidade), ela saiu de um relacionamento marcado por agressões físicas e controle financeiro e, com os R$ 500 mensais do benefício, adquiriu os primeiros equipamentos para atender clientes em domicílio. Hoje, sua carteira ultrapassa 100 clientes e ela não depende mais do programa.
Como funciona o benefício
O auxílio-aluguel é um programa temporário criado pelo governo de São Paulo e gerido pela Secretaria de Desenvolvimento Social. O valor de R$ 500 é pago por seis meses, com possibilidade de renovação por igual período.
Para ter acesso, a mulher precisa apresentar medida protetiva de urgência emitida pela Justiça, comprovar residência no estado, estar em situação de vulnerabilidade social e ter tido renda familiar de até dois salários mínimos no momento da separação.
O cadastro é feito pela rede municipal de assistência social dos municípios participantes. As unidades de atendimento incluem CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e Centros de Referência de Atendimento à Mulher. As DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher) também estão autorizadas a orientar as interessadas.
Pagamento direto à beneficiária
Após o envio da documentação pela rede municipal e a aprovação pela Secretaria de Desenvolvimento Social, o valor é depositado em uma Poupança Social no Banco do Brasil, aberta diretamente em nome da beneficiária. Mulheres com inscrição e documentos validados até o último dia útil de cada mês recebem o primeiro pagamento no dia 10 do mês seguinte.
Ana Paula descobriu o programa ao procurar o Conselho Municipal da Mulher de Itapecerica da Serra. “Esse dinheiro foi o que me deu o primeiro estímulo para sair daquela condição em que eu estava vivendo”, afirmou à Agência SP.
Ela relatou que o ex-companheiro controlava seu acesso ao celular e monitorava as mensagens trocadas com clientes, dificultando sua atividade profissional. “Foi com esse apoio que eu consegui recomeçar minha vida. Hoje eu vivo do meu trabalho, com dignidade”, disse.
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