“Banalização do preconceito”, diz Celina Leão sobre desfile em homenagem a Lula
Vice-governadora do Distrito Federal criticou a representação de evangélicos em fantasias de “latas de conserva” no desfile
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), criticou nesta segunda-feira, 16, o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Lula (PT) com um samba-enredo eleitoreiro, no domingo, 15, na Marquês de Sapucaí. De acordo com Celina, houve “banalização do preconceito religioso“ com o desfile, por causa da ala em que evangélicos foram representados em fantasias de “latas de conserva”.
A pré-candidata a governadora do DF se manifestou por meio de um vídeo publicado no Instagram. “Quero compartilhar com vocês uma indignação, mas principalmente uma tristeza tão profunda. O que aconteceu ontem naquela escola de samba, naquele desfile, não foi um apresentação artística, não, gente. Foi um recado, mas um recado muito perigoso. Que é transformar evangélicos em latas. Reduzir milhões de brasileiros a uma caricatura não é humor, não, gente”, iniciou Celina.
“Não é cultura, não é liberdade criativa, não é nada disso. Quando a fé de um povo vira objeto de escárnio público, nós estamos diante de algo muito mais grave: a banalização do preconceito religioso. Imagina se por um instante qualquer outra religião fosse exposta daquela forma. Haveria esse silêncio ou haveria manchetes indignadas, nota de repúdio, discursos inflamados, representações no Judiciário? O respeito não pode ter lado ideológico, não”.
Ela prosseguiu: “Ou vale para todos, ou não vale para ninguém. O Brasil é uma nação construída também sobre joelhos dobrados. São mãos que oram pelos seus filhos todos os dias, trabalhadores que começam o dia falando com Deus. Família que encontram na Igreja um único refúgio contra a dor, fome, medo. Quando você passa a ridicularizar tudo isso, você começa a ferir a dignidade das pessoas mais simples, pessoas que são profundamente resilientes”.
Ainda de acordo com a vice-governadora, trata-se de limite. “Democracia não combina com zombaria da crença alheia. Liberdade de expressão não é licença para humilhar ninguém. Arte que desumaniza deixa de ser ponte e passa a ser muro. Que arte é essa? Quando você normaliza o deboche contra os nossos cristãos, você abre uma porta muito perigosa: a da tolerância seletiva ou da intolerância seletiva. Aquela que escolhe quem merece respeito e quem merece ser atacado”.
Nas palavras de Celina, “o mais alarmante não é apenas um desfile, é o aplauso de quem acha tudo isso normal. E o silêncio de quem deveria se indignar. Fé não é caricatura, fé não se aprisiona em nenhuma lata. E quando milhões de brasileiros são desrespeitados, nós estamos diante de um detalhe muito grave. Um país que aprende a rir da fé de seu próprio povo corre o risco de, em breve, não respeitar absolutamente mais nada”.
Senador acionou a PGR
O senador Magno Malta (PL-ES) protocolou nesta segunda-feira uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a Acadêmicos de Niterói, por causa do desfile.
Na notícia-crime, o congressista pede a instauração de procedimento investigatório criminal, a apuração da prática de discriminação religiosa e a responsabilização penal dos responsáveis pela concepção e execução da representação discriminatória.
Ele argumenta citando a ala do desfile na qual evangélicos foram representados em fantasias de “latas de conserva”, em contexto de ridicularização pública e crítica ideológica dirigida.
“A representação simbólica consistiu na equiparação visual de fiéis evangélicos a objetos enlatados, em narrativa depreciativa associada a rótulos ideológicos, expondo grupo religioso específico a escárnio coletivo perante audiência nacional e internacional”, acrescenta o senador.
De acordo com Magno Malta, “a representação coletiva de grupo religioso identificado (evangélicos) por meio de alegoria depreciativa, em evento público de ampla difusão, configura prática de discriminação religiosa mediante meio de divulgação social”.
A notícia-crime é assinada também pela vice-presidente do diretório capixaba do PL, Magda Malta – filha do senador. Ela e o parlamentar são evangélicos.
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