Auditores saem em defesa de dirigente sindical intimado por Moraes
Presidente da Unafisco classificou decisão do ministro como “um dos maiores casos de desproporcionalidade da história recente do Judiciário”
A Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite) divulgou uma nota em apoio ao presidente da Unafisco Nacional, Kléber Cabral (foto), intimado a prestar depoimento à Polícia Federal após críticas à investigação sobre o suposto vazamento de dados de ministros do Supremo Tribunal Federal.
A intimação ocorreu no âmbito do inquérito das fake news, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes.
Kléber Cabral questionou a apuração que envolve informações tributárias do magistrado e de familiares, o que gerou reações de que haveria abuso de autoridade.
Em nota, a Febrafite afirmou que as declarações do dirigente foram feitas no exercício da representação institucional e defendeu o direito à manifestação.
“A Febrafite ressalta que o exercício da representação associativa constitui um dos pilares do Estado Democrático de Direito, assegurado pela Constituição Federal como instrumento legítimo de defesa institucional das carreiras públicas e de seus membros”, diz o texto.
A entidade afirma ainda que a atuação de dirigentes classistas, “especialmente quando voltada à manifestação de preocupações sobre o funcionamento das instituições e as condições de exercício das funções públicas, integra o debate democrático e contribui para o aprimoramento da administração pública”.
E acrescenta:
“É essencial que o ambiente institucional brasileiro preserve e respeite o direito à livre manifestação e à atuação das entidades representativas, garantindo que seus dirigentes possam exercer plenamente suas atribuições, com autonomia, responsabilidade e segurança jurídica.”
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Kléber Cabral prestou depoimento remoto à Polícia Federal nesta sexta-feira, por cerca de uma hora e meia.
A Unafisco informou que o presidente foi ouvido “na condição de investigado no âmbito do chamado Inquérito das Fake News, apenas em razão das declarações concedidas à imprensa”.
O sindicato afirmou que Cabral não está entre os quatro servidores apontados como suspeitos de vazamento de informações.
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“Mensagem intimidatória”
Em entrevista concedida na quinta-feira, 19, ao programa Meio-Dia em Brasília, Kleber Cabral afirmou que “os crimes que estão sendo aventados, mesmo se confirmados ao final, dão uma pena que é, no máximo, igual a essa que eles já estão sofrendo”.
“Foi determinado uma espécie de regime semiaberto, as pessoas estão de torneira eletrônica, têm que voltar para casa no final do dia, não podem se ausentar no final de semana. Isso é o regime semiaberto, quer dizer, é o máximo que, ao final, essas pessoas pegariam no caso mais grave de vazamento doloso de informações, o que está muitíssimo longe dos fatos concretos que nós temos apurados até o momento”, comentou Cabral, que tem jogado luz sobre o nebuloso processo conduzido por Moraes no âmbito do inquérito das fake news.
Cabral classificou como “um dos casos mais aviltantes de excesso de desproporcionalidade da história do Judiciário brasileiro” a decisão de Moraes de impor a utilização de tornozeleira eletrônica a quatro servidores públicos suspeitos de vazar dados da Receita Federal.
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Comentários (3)
Marian
21.02.2026 22:09Assinaram a Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito, não é ? Leram e entenderam ?
os caras têm "fé divina", nem o papa pode julgar.
Angelo Sanchez
21.02.2026 17:03Qual o problema de se investigar Ministro do STF, ?? eles se acham que estão acima da lei, intocável, intolerante, não admite que se investigue qualquer indício de ganhos ilícitos, eles tem o poder de polícia, parece blindado para qualquer tipo de falcatrua, este tipo de comportamento não é democrático e os Senadores já tem muitos motivos para cassar ministro do STF.