AtlasIntel: 63% são contra o PL da Dosimetria
A grande maioria dos apoiadores é de eleitores de Bolsonaro: entre eles, o apoio é de 83,9%; 97,7% dos eleitores de Lula são contra
O Senado não deveria ter aprovado o PL da Dosimetria na avaliação de 63,3% dos brasileiros, indica pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira, 18.
Outros 34% se manifestaram a favor do projeto que reduz penas dos condenados pelo 8 de janeiro de 2023 e pela trama golpista, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A grande maioria dos apoiadores é de eleitores de Bolsonaro. Entre eles, o apoio é de 83,9%. Já 97,7% dos eleitores de Lula são contra.
Considerando os eleitores que votaram branco ou nulo no segundo turno da eleição presidencial de 2022, 64,1% são a favor. Entre os que não votaram, a rejeição ao PL é de 58,3%.
A pesquisa ouviu 18.154 eleitores de 10 a 15 de dezembro. A margem de erro é de 1 ponto percentual.
O objetivo
Para a maioria dos consultados (54,7%), “a principal motivação para a Câmara dos Deputados ter aprovado o Projeto de ‘Lei da Dosimetria'” foi “beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro”.
Apenas 12% acham que o objetivo principal era beneficiar os condenados pelo 8 de janeiro, e 24% consideram que a meta era beneficiar ambos.
A aprovação do PL da Dosimetria no Senado acabou virando motivo de constrangimento para o governo Lula.
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou a articulação promovida pela liderança governista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado como “um erro lamentável”.
“A redução das penas de Jair Bolsonaro e demais golpistas, aprovada agora à noite no Senado, é um desrespeito à decisão do STF e um grave retrocesso na legislação que protege a democracia. A condução desse tema pela liderança do governo no Senado na CCJ foi um erro lamentável, contrariando a orientação do governo que desde o início foi contrária à proposta. O presidente Lula vetará esse projeto. Condenados por atentar contra a democracia têm de pagar por seus crimes”, reclamou a ministra.
O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), rebateu em seu perfil no X: “Lamentável é nos rendermos ao debate raso e superficial. É despachar divergências de governo por rede social.”
Controvérsia
A votação do projeto no plenário ocorreu depois de um acerto de procedimento conduzido Wagner.
O senador defendeu a tramitação da dosimetria sob a alegação de que a aprovação já era uma realidade inevitável, dado o número de votos favoráveis.
O objetivo do acordo era obter apoio para acelerar a análise de uma agenda prioritária da equipe econômica, que destravou 22 bilhões de reais para o Orçamento do próximo ano.
O senador Renan Calheiros (MDB) expôs a articulação em tom.de denúncia durante a audiência da CCJ:
“Eu não vou participar aqui de farsa nenhuma para possibilitar a votação dessa matéria para que o governo aprecie uma outra matéria logo mais à tarde no plenário do Senado Federal. Há pouco veio aqui o líder do governo no Senado Federal [Jaques Wagner] dizer a mim que ele concordava em deixar votar a matéria porque queria votar o PL, queria levar as alíquotas de bets e de fintechs. Eu não concordo com isso. Isso é uma farsa, e eu não concordo com isso.”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)