Relator de CPMI vira obstáculo para Lira chegar ao Senado
Pesquisas internas apontam que o relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar, poderia tirar a vaga do ex-presidente da Câmara no Senado
O relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar (União-AP, foto), tem se tornado um problema para o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) em sua tentativa de chegar ao Senado em 2026.
Pesquisas internas de União e do PL, às quais O Antagonista teve acesso, apontam que Gaspar é o segundo colocado na disputa pelo Senado, com algo na casa dos 20% dos votos. Renan Calheiros lidera com aproximadamente 25%.
Como são apenas duas vagas, Lira, que hoje é terceiro colocado, ficaria de fora.
A questão é que o ex-presidente Jair Bolsonaro pretende, mesmo em prisão domiciliar, ajudar na campanha ao Senado do ano que vem. Ele não descarta gravar vídeos em apoio a seus principais aliados. Gaspar é visto pelo ex-presidente como o melhor nome para o Senado, embora Lira tenha solicitado a Bolsonaro que ele não se intrometa na disputa local.
Além disso, há outro fator que pode complicar a vida do ex-presidente da Câmara: João Henrique Caldas, vulgo JHC, prefeito Maceió (PSD). Reeleito com 83% dos votos no ano passado, JHC é visto como um dos principais nomes do Estado e já se cogita que ele poderia disputar o Senado, ao invés de partir para a disputa pelo governo do Estado.
Assim, as vagas para o Senado em Alagoas cairiam no colo de Renan – apontado como favorito – e JHC, representante da nova política alagoana.
O Antagonista apurou que Gaspar apenas observa e que não definiu ainda seu futuro. Mas seus principais aliados admitem que a exposição na CPMI do INSS pavimentou um caminho que, há três meses, estava totalmente fora de cogitação.
Lira, por sua vez, por meio de emissários, tentado convencer Gaspar a partir para a sua reeleição. O União Brasil também trabalha nessa direção, já que o parlamentar é visto hoje como o principal puxador de votos no Estado. Segundo cálculos do partido, Gaspar, sozinho, poderia eleger até três deputados federais. Hoje a bancada de Alagoas tem nove.
Ou seja, apenas o relator da CPMI, em tese, teria um poder de fogo de eleger um terço da bancada estadual apenas por conta do trabalho desenvolvido no colegiado.
E depois dizem que CPMI não serve para absolutamente nada.
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