Aos 26 anos, o rapaz que limpava chão de hospital e trabalhava em lava-jato criou 1.300 fichas de estudo para conseguir acompanhar a faculdade, formou-se médico na universidade federal, e a primeira paciente que atendeu foi a própria irmã
Aos 26 anos, Bruno Eulálio Santos fechou um ciclo que começou entre um lava-jato e a limpeza de um hospital. Ele formou-se médico pela UFSC após estudar com cerca de 1.300 cartões levados no bolso. No primeiro plantão, a paciente diante dele era a irmã que o acolheu e sustentou seu sonho durante anos difíceis....
Aos 26 anos, Bruno Eulálio Santos fechou um ciclo que começou entre um lava-jato e a limpeza de um hospital. Ele formou-se médico pela UFSC após estudar com cerca de 1.300 cartões levados no bolso. No primeiro plantão, a paciente diante dele era a irmã que o acolheu e sustentou seu sonho durante anos difíceis.
Quem é o jovem que formou-se médico após trabalhar como faxineiro?
Natural de Minas Gerais, Bruno Eulálio Santos concluiu o ensino médio em escola pública e trabalhou em um lava-jato. Depois, mudou-se para Santa Catarina para morar com a irmã mais velha, com a condição de continuar estudando.
A necessidade de renda permaneceu. Em 2018, ele atuava como faxineiro em um hospital de Balneário Camboriú enquanto se preparava para entrar na universidade. O pouco tempo disponível obrigou Bruno a transformar deslocamentos e intervalos em períodos de revisão.

Como 1.300 fichas ajudaram Bruno a avançar nos estudos?
Primeiro, ele escreveu mais de 300 bilhetes com resumos de um curso on-line. Depois, montou cerca de 1.300 cartões de estudo com conteúdos das disciplinas. Pequenos e portáteis, eles cabiam no bolso e podiam ser revistos no caminho entre casa e trabalho.
O método reduzia assuntos extensos a perguntas e respostas curtas. Ao recuperar a informação sem consultar o material completo, Bruno conseguia identificar falhas de memória e repetir pontos difíceis. Na graduação, manteve os cartões de memorização, já em formato digital e adaptados a aplicativos.
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Como ele formou-se médico em uma universidade federal?
Bruno ingressou no curso no segundo semestre de 2020 e atravessou os primeiros períodos durante a pandemia. A formação aconteceu na Universidade Federal de Santa Catarina, instituição pública onde ele também atuou como monitor e construiu sua rotina acadêmica.
Alguns marcos principais ajudam a resumir o caminho:
- 2016: terminou o ensino médio e passou a trabalhar em um lava-jato.
- 2018: conciliou a limpeza de hospital com a preparação para a universidade.
- 2020: iniciou o curso de Medicina no segundo semestre.
- Durante a graduação: usou cartões digitais e recebeu bolsa de monitoria.
- Julho de 2026: concluiu seis anos de formação e recebeu o diploma.

Qual foi o papel da assistência estudantil nessa conquista?
O esforço individual abriu portas, mas não cobriu sozinho todos os custos de permanência. Bruno relatou que sua renda mudou perto do fim do curso e que precisou acessar políticas universitárias. Ele recebeu a Bolsa Estudantil da UFSC durante dois semestres.
Esse auxílio existe para apoiar estudantes de graduação em vulnerabilidade socioeconômica e favorecer sua permanência. No caso de Bruno, somou-se à monitoria e aos trabalhos feitos na internet, permitindo que a etapa final do curso continuasse mesmo após a mudança financeira.
Por que atender a própria irmã marcou o primeiro plantão?
Depois da formatura, Bruno iniciou a carreira sem carro e foi de aplicativo ao primeiro plantão. A estreia ganhou outro peso quando sua primeira paciente foi justamente a irmã mais velha, a pessoa que o recebeu em Santa Catarina e acompanhou os anos de preparação.
Ao entregar a primeira receita, os papéis se inverteram: quem antes cuidou dele passou a ser atendida pelo irmão médico. O encontro reuniu trabalho, estudo e apoio familiar no mesmo momento e mostrou que o diploma encerrou uma etapa, mas também abriu uma nova responsabilidade.
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