Antes de discurso na ONU, Lula cita Trump e diz que eleição é do “povo brasileiro”
Presidente publica recados sobre soberania e não intervenção horas antes de abrir o debate geral da Assembleia da ONU
Horas antes de discursar na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente Lula (PT) usou as redes sociais, entre segunda, 21, e esta terça-feira, 22, para reforçar o discurso de soberania e rejeitar interferências externas nas eleições brasileiras.
Em uma das publicações, ele citou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que as eleições do Brasil são de sua população.
“As eleições brasileiras pertencem ao povo brasileiro. E ponto. Já deixei claro ao presidente Trump: os Estados Unidos não devem se meter nas nossas eleições, assim como o Brasil não se mete nas eleições americanas. Quem decide os rumos do Brasil é o povo brasileiro, com seu voto e sua liberdade. A nossa democracia e a nossa soberania não estão em negociação“, escreveu Lula na segunda-feira.
Já numa publicação nesta terça, ele resgatou seus discursos anteriores na ONU e destacou democracia, multilateralismo e autonomia nacional como eixos da atuação brasileira.
“Há mais de duas décadas, o Brasil leva à tribuna da ONU uma posição clara em defesa da paz, da cooperação entre os países, da soberania dos povos e de uma ordem internacional mais justa. De 2003 a 2025, foram dez discursos na Assembleia Geral. Da luta contra a fome à defesa da democracia, do meio ambiente e do multilateralismo, o Brasil reafirmou seu compromisso com a redução das desigualdades e uma participação maior do Sul Global nas decisões mundiais”, escreveu o petista.
“Um Brasil soberano e com a democracia protegida tem força para defender seus interesses e cuidar do seu povo”, complementou.
Ainda na segunda, Lula afirmou que Donald Trump “age como imperador” ao comentar sobre a aplicação de tarifas a produtos brasileiros.
Lula disse que estuda quais produtos serão incluídos na lista de reciprocidade.
“Ele age como imperador. É um jeito de governar que eu não concordo (…) que todos tem que obedecer, da lei do mais forte. Eu não acredito. Acho que as tarifas são baseadas em mentiras, nós temos déficit. Em vez de chorar, estou atrás de novos parceiros”, pontuou à CNN Internacional, em Nova York.
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