Anderson Torres pede absolvição no processo sobre trama golpista
Em alegações finais, ex-secretário de Segurança do DF afirmou que acusação do MPF é baseada em "insinuações e narrativas artificiais"
O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, pediu sua absolvição no processo sobre tentativa de golpe de Estado.
Em alegações finais apresentadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Torres afirma que as acusações do Ministério Público Federal (MPF) carecem de “lastro probatório” e são baseadas em “insinuações e narrativas artificiais”.
A defesa de Torres argumenta que as ações dos envolvidos no 8 de janeiro não tiveram “potencial lesivo” para derrubar o então presidente eleito Lula (PT),.
“A narrativa posta na denúncia, evidentemente, não teve potencial lesivo para depor o governo legitimamente constituído, que, em poucas horas e de forma articulada, expulsou os invasores”, diz trecho.
Com a entrega das alegações finais, o julgamento entra em sua fase conclusiva, e os votos dos ministros da Primeira Turma do STF devem começar a ser apresentados na segunda quinzena de setembro.
Torres é acusado de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Golpe de Estado e Dano qualificado ao patrimônio da União
A defesa pede a absolvição de Anderson Torres por atipicidade das condutas e ausência de provas.
Ele estava nos Estados Unidos quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas na capital federal.
No documento, os advogados solicitam, alternativamente, a anulação do processo a partir das decisões que negaram as diligências solicitadas.
PGR e bilhete falso
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusou Torres de apresentar um bilhete de passagem aérea falso para justificar sua ausência em Brasília durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Nas alegações finais apresentadas na ação penal que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado, Gonet diz que a defesa do réu juntou aos autos somente um print da suposta passagem, para a viagem, emitida por ele em 2022, sem apresentar o comprovante de compra ou o bilhete aéreo de forma autônoma.
Segundo o procurador-geral da República, o documento por si só já não seria suficiente para “redimir as omissões dolosas do acusado“ no 8 de janeiro, pois ele tinha informações suficientes, às vésperas da viagem (ocorrida em 6 de janeiro), sobre a gravidade dos eventos que estavam por vir.
Leia mais: Torres usou bilhete de passagem falso para justificar ausência no 8/1, diz PGR
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