“Amorim nos colocou num limbo diplomático ruim”, diz Carlos Viana
O senador também defendeu a adoção de um "novo tom" nas discussões com os EUA sobre as tarifas de 50% impostas por Donald Trump
O senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirmou nesta terça-feira, 15, que o assessor especial de Lula para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, que comanda o Itamaraty paralelo, colocou o país “num limbo diplomático muito ruim”.
“Vejo com muito bons olhos o vice-presidente [Geraldo Alckmin] pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que é um legítimo negociador em buscar, mas vejo a nossa diplomacia totalmente fora hoje da capacidade de fazer um Brasil como nós já fizemos no passado e nos representar. Desculpe, mas, a meu ver, o chanceler Celso Amorim nos colocou num limbo diplomático muito ruim, que eu espero, muito em breve, a gente possa reverter pelo pelos quadros que nós temos no Itamaraty. Mas a gente confunde momento partidário ideológico com diplomacia e com amizade entre os países”, disse o senador durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Na contramão da civilização
Viana também comentou sobre a possibilidade de o Brasil se juntar à África do Sul no processo aberto pelo país africano na Corte Internacional de Justiça contra Israel.
“Ao contrário do Brasil sempre exercer o que fez de um país neutro, um país pacifista e um país que propõe a paz, o Brasil assumiu a posição de defender aqueles que estão na contramão da civilização. O Brasil vai se juntar à África do Sul agora para condenar Israel por genocídio em Gaza. O Brasil poderia muito bem, pelo bom relacionamento que tem com os palestinos, propor um acordo de paz, devolver os reféns, os copos, baixar as armas. O Brasil poderia mandar uma missão de paz para Gaza para poder o estado palestino voltar a existir, a Autoridade Nacional Palestina, mas não. O Brasil decide se juntar ao ataque.
Se ele se junta ao ataque contra uma nação como Israel, ele se junta ao ataque contra os Estados Unidos, porque eles são parceiros e irmãos. E nesse novo momento geopolítico internacional, o Brasil escolheu o lado errado e isso está trazendo consequências para nós.”
Novo tom
O senador também defendeu a adoção de um “novo tom” nas discussões com os EUA sobre as tarifas de 50% por meio da adoção de agendas com os senadores americanos Rick Scott e Jim Risch, além do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
“Para que a gente possa dar um novo tom nessa discussão, que não seja um tom de enfrentamento. [Que] seja um tom em que a gente mostre claramente que nós temos soberania, porque que caminho com o senador Mourão. Apesar de toda a crítica que faço internamente como brasileiro ao governo, eu não entendo, não admito e não acho que nós devemos em momento algum aceitar qualquer tipo de imposição, de tomada de decisão em cima de acordos tarifários. Nós temos que ser tratados com igualdade e temos que ter a cabeça erguida para colocar o nosso posicionamento e enfrentar essa dificuldade com inteligência, mas principalmente com soberania.”
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