Aliados de Lula dizem que escolha de Gaspar não amplia base de Flávio
Parlamentares governistas apontam ainda que a escolha mostra um isolamento político do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro
Aliados do presidente Lula (PT) não acreditam que a escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ajudará o adversário do petista a conquistar mais votos e apoio na corrida eleitoral.
Parlamentares governistas ouvidos por O Antagonista apontam ainda que a escolha mostra um isolamento político do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio tentou nomes de outros partidos para compor a chapa, mas, com o PP e o Republicanos decidindo ficar neutros na disputa pela Presidência da República, acabou precisando escolher um integrante do PL.
“Mostra um isolamento político de Bolsonaro. Não muda nada para a gente. Eles estão dentro da bolha bolsonarista. Não ampliam nem dentro da direita”, disse o deputado Rubens Pereira Jr. (PT-MA), vice-líder do governo na Câmara e vice-presidente nacional do PT.
“A escolha de Gaspar revela isolamento de Flávio e afasta ainda mais setores de sua candidatura. É opção para fazer campanha mais desqualificada, pois será vice não um construtor de políticas públicas, mas sim um extremista da tropa de choque do 8 de janeiro”, declarou a deputada Maria do Rosário (PT-RS), vice-líder da federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PB) na Câmara, por sua vez.
O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) ressalta que a escolha revela um interesse da campanha de Flávio também de dar destaque para o esquema das fraudes envolvendo descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.
“Alfredo vem de um estado pequeno, soma pouco eleitoralmente. Relator da CPI do INSS, a escolha revela interesse em dar centralidade a esse tema na campanha. Outro tema que ele pode ser porta-voz é segurança pública, ele foi secretário estadual”, disse o deputado.
Para o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), “a escolha do Alfredo Gaspar não acrescenta nada em termos de ampliação de voto para o Flávio Bolsonaro”. “Até pela ficha corrida dele, que é muito parecida com a do próprio Flávio. Só vai conseguir voto, evidentemente, da direita, que é do Flávio”.
O petista acredita que a chapa consolida a derrota do candidato do PL na eleição presidencial deste ano.
Flávio foi investigado por suposta “rachadinha” – prática de desvio de dinheiro público em que assessores parlamentares devolvem parte do próprio salário para o político que os contratou – na época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro.
Já no caso de Gaspar, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou “problemas” relacionados a emendas Pix que destinaram montantes ao município de São José da Laje, em Alagoas.
Além disso, em março deste ano, durante a sessão em que o relator fez a leitura do relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) o acusaram de estupro de vulnerável e tentativa de ocultação de fatos, com base em documentos e mensagens que afirmam ter recebido.
Segundo Gaspar, as acusações não passaram de “cortina de fumaça” no dia em que pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo Lulinha, filho do presidente Lula, no relatório da CPMI.
“Tiro no pé”
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) classificou a escolha de Gaspar como um “tiro no pé”, em publicação no X. Isso porque, diz, vai reviver o debate sobre as ligações de bolsonaristas com a fraude do INSS e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Nova missão contra o crime
O parlamentar usou as redes sociais para comentar pela primeira vez a indicação oficializada pelo PL durante evento realizado em Brasília.
Na publicação, Gaspar destacou sua atuação como membro do Ministério Público e como deputado federal, afirmando que pretende manter a mesma linha de atuação caso seja eleito.
“Dediquei minha vida ao combate ao crime organizado e à corrupção, dentro e fora do Congresso. Agora, assumo mais uma missão: ser candidato a vice-presidente da República”, disse.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)